O presente artigo se propõe a falar um pouco sobre a atuação da terapia ocupacional com pacientes psiquiátricos. Não pretende fechar o assunto que tem várias linhas de pensamento, mas mostrar uma delas.
A terapia ocupacinal geral, atua em 3 niveis, que são, prevenção, habilitação e reabilitação. Usa a atividade como ferramenta de trabalho.
O ser humano vive em cima da tríade cuidados pessoais,recreação e trabalho. Baseados nas informações sobre essa tríade, os terapeutas ocupacionais traçam objetivos gerais de tratamento mantendo a função que o paciente tem preservada, desenvolvendo a função que está deficitária, estimulando a descoberta de novas habilidades. Isto é, mantem o que tem, desenvolve o que precisa e estimula o novo.
Este também derá o objetivo do tratamento do paciente psiquiátrico, manter o que tem, desenvolver o que precisa e estimular o novo. Sempre que o terapeuta ocupacional traça objetivos, coloca treinamento de AVD's(atividades de vida diária).Mas se o paciente psiquiátrico não tem um bloqueio articular, nem disfunção motora, para que colocar nesses objetivos o treinamento de AVD?
Porque esse paciente, na maioria das vezes, se "desliga" de seu próprio corpo. Sua personalidade está tão fragmentada, que mesmo algo tão concreto como o corpo passa-lhe despercebido.A terapia ocupacional deve estimular o interesse do paciente por seus cuidados pessoais básicos e a disposição de realizá-los diariamente para que adquira auto-confiança, mantenha suas habilidades e conquiste a noção de responsabilidade inerente a todo ser humano. A estimulação do desenvolvimento das AVD's faz com que o paciente se sinta útil, promove a independência de seus hábitos, dando-lhe uma maior resistência psíquica aos estimulos negativos. O terapeuta ocupacional deve ajudá-lo para que aos poucos se sinta capaz de cuidar de si, uma vez que o principal objetivo de tratamento da terapia ocupacional, é a independência do paciente.
Que atividades prescrever para esse paciente? A atividade livre expressiva. Ela funciona como psicoterapia, como elemento de elucidação de diagnóstico e como controle de evolução dos casos clínicos.
O paciente psiquiátrico está fragmentado. É difícil nesta situação verbalizar. Através do uso das mãos e da manipulação do material, é possível ao paciente canalizar esta energia dispersa, expressar o que muitas vezes nem ele sabe, mas suas mãos transmitem.
É como, por exemplo, quando se está com lápis e papel nas mãos, falando ao telefone com uma pessoa extremamente chata, uma conversa monótona e desinteressante. Ao final desta conversa descobrimos desenhos, rabiscos, figuras feitas totalmente ao acaso que expressam nossos sentimentos em relação a este telefonema.
Como o paciente psiquiátrico, nós também não sabemos explicar porque fizemos este ou aquele traço.
Acontece também, de no meio da conversa, você se dá conta do que está desenhando e começa a interferir conscientemente no resultado do trabalho. Sua mente volta a atenção para o que suas mãos estão fazendo. É o mesmo processo com o paciente. Num determinado momento, após organizar um pouco o seu tumulto interno, ele inicia um processo de conscientização do eu, começa a se reconstruir, a juntar seus fragmentos, a descobrir quem é.
Cabe ao terapeuta ocupacional facilitar esta descoberta, oferencendo a ele diversas formas de expressão, materiais variados para que escolha o que melhor se adapte a sua necessidade. É totalmente improdutivo direcionar sua escolha. Ele vai buscar a melhor forma de se expressar porque ele precisa se expressar.
A escolha do material, a forma de utilizá-lo são dados importantes a serem obeservados. Olhar somente a atividade depois de pronta, deixa de lado toda uma conquista da forma de expressão, é desvalorizar uma informação fundamental, é minimizar qualquer progresso ou tentativa. Permitir, sem interferir, que o paciente se expresse, é o caminho da evolução para a cura deste paciente.
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