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O sufismo (árabe: تصوف, tasawwuf; persa:صوفی‌گری Sufi gari) é a corrente mística e contemplativa do Islão. Os praticantes do sufismo, conhecidos como sufis ou sufistas, procuram uma relação directa com Deus através de cânticos, música e danças.

O termo sufismo é utilizado para descrever um vasto grupo de correntes e práticas. As ordens sufis (Tariqas) podem estar associadas ao islão sunita, islão xiita ou uma combinação de várias correntes.O pensamento sufi nasceu no Médio Oriente no século VIII, mas encontra-se hoje por todo o mundo. Na Indonésia, actualmente a nação com maior número de muçulmanos, o islão foi introduzido através das ordens sufis.

Etimologia


É incerta a origem da palavra sufismo (árabe: tasawwuf).

Para alguns autores a palavra é oriunda de suf que significa "lã" em árabe. Aparentemente os primeiros praticantes deste tipo de religiosidade tinha por hábito vestir-se com lã como forma de demonstrar a sua simplicidade, sendo provavelmente influenciados pelos ascetas cristãos da Síria e da Palestina. A lã possuía também uma conotação espiritual nos tempos pré-islâmicos.

Para outros autores a origem deve ser procurada na palavra árabe safa, que significa "pureza".

Sufi: apenas um apelido


Conhecido por muitos como o misticismo do Islã, o sufismo é uma filosofia de autoconhecimento e contato com o divino através de práticas meditativas, reclusão, danças, poesia e música. Os sufis acreditam que Deus é amoroso e o contato com ele pode ser alcançado pelos homens através de uma união mística, independente da religião praticada. Por este conceito de Deus foram, muitas vezes, acusados de blasfêmia e perseguidos pelos próprios muçulmanos, pois contrariavam a idéia de um Deus que julgava e punia, a quem os homens deveriam se submeter.

Hallad, um dos maiores representantes do sufismo, foi executado, pois dizia que Deus passara a morar dentro dele; que havia atingido a total união e harmonia com Ele. Como o ideal do sufismo era ascético, acreditavam que Jesus era tão importante quanto Maomé, que o Alcorão era tão essencial quanto a Bíblia ou a Torá. Quase um século e meio depois, Ghazali, um dos maiores pensadores do mundo e seguidor sufi, disseminava a idéia de que a verdade mística não pode ser aprendida, mas sim experimentada por meio do êxtase.

Para os sufis a origem histórica da sua religiosidade pode ser encontrada nas práticas meditativas do profeta Maomé. Este tinha por hábito refugiar-se nas cavernas das montanhas de Meca onde se dedicava à meditação e ao jejum. Foi durante um desses retiros que Maomé recebeu a visita do anjo Gabriel, que lhe comunicou a primeira revelação de Deus.

Encontramos seguidores desta corrente em todos os segmentos sociais: camponeses, donas-de-casa, advogados, comerciantes... Sua filosofia básica é: "Estar no mundo, mas não ser dele", livre da ambição, da cobiça, do orgulho intelectual, da cega obediência ao costume ou do respeitoso amor às pessoas de posição mais elevada. É esse ideal que surge bem definido no poema de uma dos grandes pensadores e poetas sufis, Ibn El-Arabi:

"Sigo a religião do Amor.

Ora, às vezes, me chamam

Pastor de gazelas (divina sabedoria)

Ora monge cristão,

Ora sábio persa.

Minha amada são três -

Três, e no entanto apenas uma;

Muitas coisas que aparecem três,

Não são mais do que uma. Não lhe dêem nome algum,

Como se tentassem imitar alguém

A cuja vista

Toda limitação se confunde."

...Ou no poema de Rumi:

"O que fazer se não me reconheço?

Não sou cristão, judeu ou muçulmano.

Se já não sou do Ocidente ou do Oriente,

Não sou das minas, da terra ou do céu.

Não sou feito de terra, água, ar ou fogo;

Não sou do Empíreo, do Ser ou da Essência.

Nem da China, da Índia ou Saxônia,

Da Bulgária, do Iraque ou Khorasan.

Não sou do paraíso ou deste mundo,

Não sou de Adão e Eva, nem do Hades.

O meu lugar é sempre o não-lugar,

Não sou do corpo, da alma, sou do Amado.

O mundo é apenas Um, venci o Dois.

Sigo a cantar e a buscar sempre o Um.

Primeiro e último, de dentro e fora,

Eu canto e reconheço aquele que É.

Ébrio de amor, não sei de céu e terra.

Não passo do mais puro libertino.

Se houver passado um dia em minha vida

Sem ti, eu desse dia me arrependo.

Se pudesse passar um só instante

Contigo, eu dançaria nos dois mundos

Shams de Tabriz, vou ébrio pelo mundo

E beijo com meus lábios da loucura".

As ordens sufis


A ordem Chishti

Deve o seu nome a Khaja Mu´in al-Din Chisti, oriundo do Afeganistão mas que se fixou na cidade indiana de Ajmer, onde ensinou um grande número de discípulos. Estes discípulos iriam por sua vez criar centros por todo o subcontinente indiano através dos quais difundiram os ensinamentos de Chishti.

O dhikr (forma de meditação) característico desta ordem é um tipo de interpretação musical chamado qawwali, no qual um grupo de músicos entoa cantos religiosos num ritmo sincopado.

A ordem Mevlevi

Esta ordem deve o seu nome ao poeta Jalal al-Din Rumi, chamado Mevlana em turco (século XIII). Encontra-se geograficamente circunscrita à actual Turquia e aos Balcãs.

Nas suas práticas dhikr atribuem grande importância à música e à dança.

O exercício de meditação da ordem, denominado sema, envolve a recitação de orações e hinos, após os quais os participantes realizam voltas à sala, numa dança em que abrem os braços à altura dos ombros, com a palma da mão direita virada para cima e a da mão esquerda para baixo. Os membros desta ordem são mais conhecidos no Ocidente como os "dervixes rodopiantes".

A ordem Naqshbandi

Largamente presente no mundo islâmico, esta ordem recebeu o nome de Baha al-Din Naqshband, um erudito sufi natural do Uzbequistão. Ao contrário das outras ordens, não consideram essencial retirar-se da sociedade. Muitos membros desta ordem desempenham um importante papel de assistência social em países islâmicos.

Consideram como fundamentais oito princípios:

  • Ter consciência da respiração;
  • Ver por onde se caminha;
  • Viajar interiormente;
  • Experimentar a solidão no meio da sociedade humana;
  • A recordação;
  • O refrear dos pensamentos;
  • O controlo dos pensamentos;
  • A concentração no Divino.

Nos últimos anos um ramo desta ordem, a do xeque Nazim e do seu sucessor xeque Hisham Kabbani, tornou-se muito activa nos Estados Unidos, não sem gerar controvérsia; para os seus críticos o grupo presta um culto de personalidade ao seu mestre que é contrário aos ensinamentos do Islão.

O caminho sufista na história do homem


O sufismo pode ser dividido historicamente nos períodos antigo, clássico, medieval e moderno. Um dos fatos marcantes do período clássico foi à crucificação de Husayn ibn Mansur al-Hallaj, acusado de heresia, em 922, após declarar "Eu sou a verdade".

Foi na época medieval, entretanto, que os sufistas aprenderam a disfarçar em poesias complexas qualquer afirmação que pudesse ser considerada um desafio à crença do "Deus Único". Assim, só mesmo os esclarecidos podiam decifrá-las.

Durante a Idade Média, Abu Hamid al-Ghazzali (1059-1111) afastou-se da vida mundana para empreender uma busca por Deus. Seus escritos ajudaram a combinar os aspectos heréticos do sufismo com o islamismo ortodoxo. Em números, os sufistas atingiram o auge na era moderna, entre 1550 e 1800. Hoje o sufismo é, muitas vezes, praticado em segredo nos países muçulmanos, enquanto na Índia e em muitos países do ocidente ele comanda um fiel grupo de seguidores.

Ligações externas


Islão

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