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SickGirlInPyjamas.jpg O sono é o processo em que os seres humanos e outros animais descansam periodicamente.

O ciclo do sono é formado por cinco estágios e dura cerca de noventa minutos (pode chegar a 120 minutos). Ele se repete durante quatro ou cinco vezes durante o sono.

Quando se dorme, perdem-se os sentidos na seguinte ordem: visão, paladar, olfato, audição e tato. O tato é o sentido que desperta ao mais leve toque sobre a pele. Ele é o vigia do corpo adormecido. Na hora de acordar, os sentidos voltam nesta ordem: tato, audição, visão, paladar e olfato.

O período mais longo que uma pessoa já conseguiu ficar sem dormir foi de aproximadamente doze dias. Napoleão Bonaparte dormia quatro horas por noite, enquanto Albert Einstein precisava de dez horas de sono.

Introdução


Pode definir-se sono como "um período de repouso para o corpo e a mente, durante o qual a volição e a consciência estão em inactividade parcial ou completa" (DORLAND citado por ROPER; LOGAN; TIERNEY, 1993, 466). Já FRIEDMAN (1995, 1827), define sono como "sendo o desencadear deliberado de uma alteração ou redução do estado consciente, que dura, em média 8 horas (...) tendo início sensivelmente à mesma hora, em cada período de 24 horas, e (...) resultando, geralmente, em sensação de energia física, psíquica e intelectual restabelecida". Existem várias definições do sono apresentadas por diferentes autores, e no geral complementam-se umas às outras.

De acordo com FONTAINE, BRIGGS e POPE-SMITH (2001), o sono é importante para a recuperação da doença, enquanto que a privação deste pode afectar a regeneração celular assim como a total recuperação da função imunitária.

O sono divide-se em dois estágios fisiologicamente distintos, REM (Rapid Eye Movement ou Movimento Rápido dos Olhos) e NREM (Non Rapid Eye Movement ou Movimento Não Rápido dos Olhos).

O sono REM


O sono REM, caracteriza-se por uma intensa actividade registada no electroencefalograma (EEG) seguida por flacidez, paralisia funcional, dos músculos esqueléticos. Nesta fase a actividade cerebral é semelhante ao estado de vigília. Deste modo, o sono REM é também denominado por vários autores como sono paradoxal podendo mesmo falar-se em estado dissociativo.

Nesta fase do sono, a actividade onírica é intensa, sendo sobretudo sonhos coloridos envolvendo situações emocionalmente muito fortes.

É durante esta fase que fazemos integração da atividade cotidiana, isto é, a separação do comum do importante. Este representa 20 a 25% do tempo total de sono e surge em intervalos de 60 a 90 minutos. Esta fase é essencial para o bem-estar físico e psicológico do indivíduo.

O sono NREM


A fase NREM ocupa cerca de 75% do tempo do sono e divide-se em quatro períodos distintos conhecidos como estágios 1, 2, 3 e 4.

Estágio 1

O estágio 1 começa com uma sonolência. Dura aproximadamente cinco minutos. A pessoa adormece. É caracterizado por um EEG semelhante ao estado de vigília. Este estágio tem uma duração de 1 a 2 minutos, estando o individuo facilmente despertável. Durante este estágio predominam sensações de vagueio, pensamentos incertos, mioclonias das mãos e dos pés, lenta contracção e dilatação pupilar. Nesta fase, a a(c)tividade onírica está sempre relacionada com acontecimentos vividos recentemente.

Estágio 2

A pessoa já dorme, mas ainda não profundamente. Dura em torno de quinze minutos. O estágio 2 tem uma duração aproximada de 5 a 15 minutos. Caracteriza-se por um EEG com frequências de ondas mais lenta, aparecendo o "complexo K". Nesta fase, os despertares por estimulação táctil, fala ou movimentos corporais são mais difíceis do que no anterior estágio. Aqui a actividade onírica já pode surgir sob a forma de sonhos com uma história integrada.

Estágio 3

O estágio 3 e 4 têm muitas semelhanças entre si, daí serem quase sempre associados em termos bibliográficos quando são caracterizados. Nestas fases, os estímulos necessários para acordar são maiores. Do estágio 3 para o estágio 4, há uma progressão da dificuldade de despertar. Este estágio tem a duração de aproximadamente 15 a 20 minutos.

Estágio 4

São quarenta minutos de sono profundo. É muito difícil acordar alguem nessa fase de sono. Depois, a pessoa retorna ao terceiro estágio (cinco minutos) e ao segundo estágio (mais quinze minutos). Entra, então, no sono REM.

Este estágio NREM do sono caracteriza-se pela secreção da hormona do crescimento em grandes quantidades promovendo a síntese proteica, o crescimento e reparação tecidular, inibindo, assim, o catabolismo (cf. BOLANDER, 1998). O sono NREM desempenha, assim, um papel anabólico, sendo essencialmente um período de conservação e recuperação de energia física.

O ciclo do sono


Um ciclo do sono dura cerca de 90 minutos, ocorrendo quatro a cinco ciclos de sono num período de sono nocturno. Segundo LAVIE (1998, 45), o número de ciclos por noite depende do tempo do sono, acrescentando, ainda, que “o sono de uma pessoa jovem é, habitualmente, composto por quatro ou cinco desses ciclos, enquanto o de uma pessoa mais velha terá menos”. Daí podemos deduzir que o número de ciclos por noite num indivíduo depende de factores como a idade, sendo, no entanto, o padrão comum entre quatro a cinco ciclos. Durante o sono, o individuo passa, geralmente por ciclos repetitivos, começando pelo estágio 1 do sono NREM, progredindo até o estágio 4, regride para o estágio 2, e entra em sono REM. Volta de novo ao estágio 2 e assim repete-se novamente todo o ciclo (como mostra na Figura 1).

Nos primeiros ciclos do sono, os períodos de NREM (mais concretamente o estágio 3 e 4) têm uma duração maior que o REM. À medida que o sono vai progredindo, os estágios 3 e 4 começam a encurtar e o período REM começa a aumentar. Na primeira parte do sono predomina o NREM, sendo os períodos REM mais duradouros na segunda metade.

Factores do ambiente que interferem no sono


Segundo Phipps (1995) o sono é uma das muitas ocorrências biológicas que tem lugar à mesma hora, cada 24 horas. Este é marcado por uma intensa actividade cerebral e pela ocorrência de determinadas funções que são muito importantes para o organismo.

A necessidade diária de sono varia, não só de indivíduo para indivíduo (variação inter-individual), como também no mesmo indivíduo (variação intra-individual) de dia para dia. Existem vários factores que contribuem para a alteração do padrão de sono, nomeadamente factores físicos, sócio-culturais, psicológicos, ambientais, etc. Segundo um estudo efectuado por DLIN e colaboradores (citados por THELAN, 1996), dentro do ambiente temos então:

Ruído

O ruído pode ser visto como um perigo ambiental que cria desconforto e pode interferir com o sono e repouso do doente, uma vez que activa o sistema nervoso simpático cuja estimulação é responsável pelo estado de vigília ou alerta do indivíduo.

Luz

Muitas são as pessoas que apresentam um nível de sensibilidade elevado à luz, sendo por isso facilmente perturbadas durante o sono mesmo que seja uma luz de pouca intensidade.

Temperatura

É importante que possa existir um maior controle sobre a temperatura do ambiente externo, e que este controlo seja feito de forma cuidadosa. Tendo em conta que a temperatura corporal atinge o seu pico ao final da tarde ou princípio da noite e depois vai baixando progressivamente atingindo o ponto mais baixo ao início da manhã, uma diminuição ou um aumento da temperatura ambiente faz, geralmente, acordar a pessoa ou cria-lhe um certo desconforto que o impossibilita de dormir.

Referências Mitológicas


Segundo mitologias gregas, o deus Hipnos seria a própria personificação do sono, e Oniro, a do sonho.

Algumas dicas para dormir melhor


  1. Procure dormir e despertar sempre nos mesmos horários para facilitar o seu relógio interno (relógio biológico).
  2. Evite bebidas alcóolicas.
  3. Não tome medicações estimulantes. Bebidas que contenham cafeína, tais como café, e teína, tais como chá preto e chá mate, devem ser evitados antes de dormir, bem como refrigerantes (especialmente as cafeinadas, tais como Coca-Cola).
  4. Não fume.
  5. O quarto de dormir deve ser silencioso, escuro e com temperatura amena.
  6. Desligue a TV antes de se deitar.
  7. A alimentação antes de dormir deve ser leve e de fácil digestão.
  8. A atividade física facilita o sono se for feita regularmente pelo menos 4 horas antes de dormir.
  9. Procure relaxar: ouvir música, conversar com familiares, tomar um banho morno, podem facilitar o relaxamento necessário para o sono.
  10. Não tome remédios para dormir por conta própria. Só use medicamentos quando receitados e controlados por seu médico de confiança.(REIMÃO, 1998)

Referências bibliográficas


  • BOLANDER, Verolyn R., Necessidades Humanas, in BOLANDER, Verolyn R – Sorensen e Luckmann- Enfermagem fundamental: Abordagem Psicofisiológica, 1ª Edição, Lisboa: Lusodidacta, 1998, ISBN: 972-96610-6-5, pp. 307- 327.
  • CRUZ, Arménio Guardado; SILVA, Carlos Fernandes – Consequência do Trabalho por Turnos, Revista Sinais Vitais, Coimbra, ISSN: 0872-8844, N.º 3, 1995 (Maio), pp. 37-42.
  • FONTAINE, D.K., BRIGGS, L. P., POPE-SMITH, B., Designing humanistic critical care environments. Critical Care Nursing Quarterly, Washington, D. C. ISSN 0887-9303. 24:3 (November 2002) 21-34.
  • FRIEDMAN, D. B., Distúrbios do Sono I, in PHIPPS, W. J. – Enfermagem Médico-Cirúrgica- Conceitos e Prática Clínica. 2ª Edição em Português, Lisboa: Lusodidacta, 1995, ISBN: 972-96610-6-5, pp. 1827-1843.
  • LAVIE, Peretz – O Mundo Encantado do Sono, Lisboa: Climepsi Editores, 1998, ISBN: 972-8449-10-0, 255 p.
  • PHIPPS, W. J.; et al. – Enfermagem Médico-Cirúrgica- Conceitos e Prática Clínica. 2ª Edição em Português, Lisboa: Lusodidacta, 1998, ISBN: 972-96610-6-5, pp. 2389-2391.
  • REIMÃO R. Sleep: Latin American References 1895-1995. São Paulo, Frôntis Editorial, 2000.
  • REIMÃO R, ed. Sono: estudo abrangente. 2 ed. São Paulo,Atheneu Editora, 1996
  • REIMÃO R. Durma Bem. São Paulo, Atheneu Editora, 1998.
  • REIMÃO R, ed. Medicina do Sono. São Paulo, Lemos Editorial, 1999.
  • REIMÃO R. Melatonina e sono. Rev Bras Neurol Psiquiatr 2000; 4(3): 93-100.
  • REIMÃO R, ed. Avanços em Medicina do Sono. São Paulo, Associação Paulista de Medicina, Zeppelini Editorial, 2001.
  • ROPER, N., LOGAN, W.W., TIERNEY, A.J. - Modelo de Enfermagem, 3a Edição, Alfragide: Editora McGraw-Hill de Portugal, 1995, ISBN: ?, pp. 396-415.
  • ROSSINI S., REIMÃO R. - Chronic insomnia in fibromyalgia patients psychological and adaptive aspects. Rev Bras Reumatol 2002; 42 (9): 285-288.
  • THELAN, L.A. al. - Enfermagem em Cuidados Intensivos, Diagnóstico e Intervenção, 2a Edição, Lisoa: Lusodidacta, 1996, ISBN: 872-96610-2-2, pp. 137-156.
  • VEIGA, J.M. - Cuidados de Enfermagem no Sono. Revista Sinais Vitais, Coimbra, ISSN: 0872-8844, N.o 3, 1995 (Maio), pp. 33-36.



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