O Sarampo é uma doença causada pelo vírus do sarampo e transmitida por via respiratória. Apesar de geralmente de resolução sem problemas, esta doença ainda é uma das causas mais freqüentes de óbito em crianças em muitas regiões, particularmente em países onde a vacinação em massa não é satisfatória.
O virús do sarampo é um vírus com genoma de RNA simples de sentido negativo (a sua cópia é que é mRNA e serve para sintese proteica). É um virus envelopado (com membrana lípidica externa) pleomórfico com cerca de 150-300 nanometros. Induz a fusão de células infectadas formando células gigantes, o que facilita a sua circulação e multiplicação sem ser reconhecido e inactivado por anticorpos circulantes, e é resistente ao complemento. Ele infecta as células fundindo a sua membrana (envelope) com a da célula após acoplagem da sua proteína envelopar fusão a receptor especifico. Reproduz-se no citoplasma da célula. A sua multiplicação destroi as células excepto nos neurónios. As eritemas cutâneos são cuasados mais pela acção do sistema imunitário contra o vírus que por ele próprio. A resolução da doença dá imunidade para toda a vida.
O sarampo pode causar complicações como otite, pneumonia (oriunda do próprio vírus do sarampo ou secundariamente, por bactérias) e encefalite. O sarampo geralmente é mais grave em desnutridos, gestantes, recém-nascidos e pessoas portadoras de imunodeficiências. Em gestantes, pode causar abortos espontâneos e parto prematuro, embora não sejam conhecidos casos de malformações congênitas associadas à infecção pelo sarampo. A doença também pode agravar a tuberculose, em pessoas ainda não tratadas dessa doença pulmonar.
A encefalite geralmente ocorrem em 15% dos casos (0,5% resultam em morte) e surge uma semana depois do inicio da doença. Outra forma de encefalite, pós infecciosa, será de natureza auto-imune. A pneumonia por bactérias oportunistas é responsável por 60% das mortes por sarampo.
A infecção por vírus mutante pode dar origem a um terceiro tipo de encefalite muito grave, encefalite esclerosante sub-aguda, numa pequena minoria de doentes (7 em um milhão), ocorrendo vários anos após o episódio agudo, com distúrbios nas funções intelectuais (memória, personalidade, comportamento).
A mortalidade é de 0,1% em crianças de boa saúde e nutrição, mas pode subir até 25% em crianças subnutridas.
Não há cura. A prevenção é por vacina de vírus vivo de baixa virulência.
A doença era desconhecida antes da era cristã, Hipócrates não descreve nada parecido. A epidemia terá surgido na Europa nos séculos II e III d.C., matando grande proporção da população totalmente não imune do Império romano, como mais tarde faria na América, e sendo um factor principal do declínio dessa civilização. Segundo alguns autores conceituados (o historiador William McNeil entre outros) terá sido a queda da população de Roma e do seu império devido às doenças antes desconhecidas varíola, sarampo e varicela que diminuiu a população do império ao ponto de leis serem decretadas da herediteriedade das profissões, postos oficiais e redução à servidão dos agricultores antes livres, dando origem ao feudalismo. Nesta situação de debilidade, os povos germânicos e outros terão encontrado a oportunidade de se estabelecer nas terras quase vazias devido à epidemia no império, de inicio com a aquisciência dos oficiais romanos, desesperados com a queda dos rendimentos fiscais. Só depois desta época teram sido a varíola e o sarampo frequentes na Europa, e naturalmente atingindo as crianças não imunes, ao contrário das epidemias raras, que matam os adultos. A infecção das crianças, com morte das susceptiveis mas imunidade para as sobreviventes, é menos danosa para uma civilização que a de adultos já ensinados, donde se explica os graves problemas criados em Roma pela morte de adultos que não tinham encontrado a doença nas suas infâncias.
Na China o panorama terá sido semelhante, e também aí caiu pela mesma altura o Império Han. Julga-se que estas doenças terão sido importadas simultaneamente nessa altura da Índia para as duas grandes civilizações dos extremos da Eurásia, e não será talvez coincidência que foi precisamente nos século I e século II dC que as rotas comerciais para a India e a rota da seda para a China foram estabelecidas pela primeira vez, ligando as três regiões com grande débito de mercadorias e comerciantes.
O sarampo foi um dos principais responsáveis pela destruição das populações nativas da América após a sua importação da Europa com Colombo. Juntamente com a Varíola, Varicela e outras doenças, ela matou mais de 90% da população do continente, derrotando e destruindo as civilizações Asteca e Inca muito mais que Hernán Cortés e Francisco Pizarro alguma vez seriam capazes.
A primeira descrição reconhecivel do sarampo é atribuida ao médico árabe Ibn Razi (860-932) (conhecido como Rhazes na Europa). O virus foi isolado apenas em 1954, e a vacina foi desenvolvida em 1963.
Medicina | Doenças infecciosas
Mæslinger | Masern | Measles | Morbilo | Sarampión | سرخک | Tuhkarokko | Rougeole | חצבת | Demam Campak | Morbillo | 麻疹 | Mazelen | Odra (choroba) | Корь | Ružienka | Mässling | Kızamık | Кір | Sởi | 麻疹