Sátrapa (Grego σατράπης satrápēs, do antigo persa xšaθrapā(van), i.e. "protetor da terra/país") era o nome dado aos governadores das províncias, chamadas satrapias, nos antigos impérios Aquemênida e Sassânida da Pérsia.
Cada satrapia era governada por um sátrapa, que era nomeado pelo rei. Para evitar a corrupção, o Rei dos Reis (Imperador Persa) possuía uma rede de espiões que foi chamada de "Os olhos e ouvidos do Rei". Após a conquista de Alexandre, o Grande esse sistema de administração foi mantido.
Quando Ciro o Grande (c. 576 - Julho de 529 a.C.) estava à frente do maior império do mundo fora da China, ele adotou o princípio de organização dos Assírios, que primeiro organizaram seus territórios conquistados em províncias, governadas por reis-clientes. A principal diferença era que, na cultura persa, o conceito de reino era indissociável do de divindade: a autoridade divina validava a o direito divino dos reis. Os vinte sátrapas nomeados por Ciro não eram reis, mas vice-reis governando em nome do rei. Dario I deu às satrapias uma organização definitiva, aumentou o seu número para vinte e três e fixou seu tributo anual (inscrição de Behistun).
O poder do sátrapa era controlado: além do seu escriba como secretário, o seu "Ministro das Finanças" (Persa antigo ganzabara) e o general encarregado do exército regular da província e das fortalezas eram independentes dele, e só prestavam contas ao shah, periodica e pessoalmente. Mas o sátrapa tinha o direito de ter suas próprias tropas (compostas na sua maioria de mercenários gregos, num período mais recente). As maiores províncias eram divididas em diversos distritos menores, cujos governadores também chamavam-se sátrapas e, segundo autores gregos, hiparcas ('vice-regentes'). A distribuição das grandes satrapias mudava ocasionalmente, e era freqüente que duas delas fossem dadas ao mesmo homem. Sempre que a autoridade central imperial se enfraquecia, o sátrapa usufruía de uma verdadeira independência, especialmente quando se tornou costume sua designação como general-em-chefe do exército distrital, contrariamente à regra inicial. "Quando seu posto se tornou hereditário, a ameaça à autoridade central não podia mais ser ignorada." (Olmstead). Rebeliões de sátrapas tornaram-se freqüentes a partir do meio do século V a.C.. O grande usurpador Dario I lutou contra rebeliões generalizadas nas satrapias, e sob Artaxerxes II a maior parte da Ásia Menor e Síria esteve em rebelião declarada.
As últimas grandes rebeliões foram sufocadas por Artaxerxes III. A administração sátrapa foi mantida por Alexandre e seus sucessores, especialmente no Império Selêucida, onde o sátrapa é geralmente chamado de assirategus; mas suas províncias eram muito menores que as do tempo dos persas.
Mais tarde, o culto divino de um sátrapa foi atestado em inscrições sírias de Palmira e do Hauran. Pausânias (vi.25, 26) menciona Sátrapas como o nome de um deus que tinha uma estátua e culto em Elis e identificava-se com Korybas. A origem deste "deus" é obscura; talvez tenha surgido de um culto identificando o aspecto divino e real do poder dos sátrapas.
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