article

O Renascimento (ou Renascença) foi um movimento cultural e simultaneamente um período da história Européia, considerado como marcando o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. O Renascimento é normalmente considerado como tendo começado no século XIV em Itália e no século XVI no norte da Europa. Também é conhecido como Rinascimento (em italiano).

Espírito renascentista


Vitruvian.jpg sintetiza o ideário renascentista: humanista e clássico]] O Renascimento está associado ao humanismo, o interesse crescente entre os acadêmicos europeus pelos textos clássicos, em latim e em grego, dos períodos anteriores ao triunfo do Cristianismo na cultura européia. No século XVI encontramos paralelamente ao interesse pela civilização clássica, um menosprezo pela Idade Média, associada a expressões como "barbarismo", "ignorância", "escuridão", "gótico", "noite de mil anos" ou "sombrio" (Bernard Cottret).

O seguinte extracto de Pantagruel (1532), de Rabelais costuma ser citado para ilustrar o espírito do renascimento:

Todas as disciplinas são agora ressuscitadas, as línguas estabelecidas: Grego, sem o conhecimento do qual é uma vergonha alguém chamar-se erudito, Hebraico, Caldeu, Latim (...) O mundo inteiro está cheio de académicos, pedagogos altamente cultivados, bibliotecas muito ricas, de tal modo que me parece que nem nos tempos de Platão, de Cícero ou Papinianus, o estudo era tão confortável como o que se vê a nossa volta. (...) Eu vejo que os ladrões de rua, os carrascos, os empregados do estábulo hoje em dia são mais eruditos do que os doutores e pregadores do meu tempo.

Origem do termo


A palavra francesa, também usada pelos ingleses, "Renaissance", foi cunhada pelo historiador francês Jules Michelet e posteriormente usada pelo historiador suíço Jacob Burckhardt no século XIX.

Este termo foi usado em contraste com a "idade das trevas", um termo cunhado por Petrarca, referindo-se à Idade Média. Após a introdução por Petrarca, o termo foi considerado apropriado porque, durante o renascimento, a literatura e a cultura clássicas das antigas civilizações da Grécia e de Roma foram adoptadas pelos acadêmicos e artistas em Itália, e disseminados extensamente através da imprensa. Durante o último quarto do século XX, no entanto, um maior número de acadêmicos começaram a achar que o Renascimento poderá ter sido apenas um entre outros movimentos. A vida cultural deixou de ser controlada pela igreja católica e foi influênciada por estudiosos da Antiguidade greco-romana chamados de humanistas.

Fases do Renascimento


Costuma-se dividir o Renascimento em três grandes fases, correspondentes aos séculos entre o XIV e o XVI.

Trecento

O Trecento (em referência ao século XIV) manifesta-se predominantemente na Itália, mais especificamente na cidade de Florença, pólo político, econômico e cultural da região. Giotto, Boccaccio, e geovanni trapattoni Petrarca estão entre seus representantes.

Quattrocento

Durante o Quattrocento (século XV) o Renascimento espalha-se pela península itálica, atingindo seu auge. Neste período actuam Botticelli, Leonardo da Vinci, Rafael e, no seu final, Michelangelo (que já prenuncia certos ideais anti-clássicos utilizando-se da linguagem clássica, o que caracteriza o Maneirismo, a etapa final do Renascimento, considerados os três últimos o "trio sagrado" da Renascença.

Cinquecento

O Renascimento torna-se no século XVI um movimento universal europeu, tendo, no entanto, iniciado sua decadência. Ocorrem as primeiras manifestações maneiristas e a Contra reforma instaura o Barroco como estilo oficial da Igreja Católica. Na literatura atuaram Ludovico Ariosto, Torquato Tasso e Nicolau Maquiavel, já na pintura eram Rafael e Michelangelo.

Artes


Arquitectura do Renascimento

Chama-se de Arquitetura do Renascimento ou renascentista àquela que foi produzida durante o período do Renascimento europeu, ou seja, basicamente, durante os séculos XIV, XV e XVI. Caracteriza-se por ser um momento de ruptura na História da Arquitetura em diversas esferas: nos meios de produção da arquitetura; na linguagem arquitetônica adotada e na sua teorização. Esta ruptura, que se manifesta a partir do Renascimento, caracteriza-se por uma nova atitude dos arquitectos em relação à sua arte, passando a assumirem-se cada vez mais como profissionais independentes, portadores de um estilo pessoal. Inspiram-se, contudo, na sua interpretação da Antiguidade Clássica e em sua vertente arquitetônica, considerados como os modelos perfeitos das Artes e da própria vida. É também um momento em que as artes manifestam um projeto de síntese e interdisciplinaridade bastante impactante, em que as Belas Artes não são consideradas como elementos independentes, subordinando-se à Arquitetura. A arquitetura do Renascimento está bastante comprometida com uma visão-de-mundo assente em dois pilares essenciais: o Classicismo e o Humanismo. Além disso, vale lembrar que, ainda que ela surja não totalmente desvinculada dos valores e hábitos medievais, os conceitos que estão por trás desta arquitetura são os de uma efetiva e consciente ruptura com a produção artística da Idade Média (em especial com o estilo gótico). Através do Classicismo, os homens do Renascimento encaravam o mundo greco-romano como um modelo para a sua sociedade contemporânea, buscando aplicar na realidade material cotidiana aquilo que consideravam pertencer ao mundo das idéias. Neste sentido, a arquitectura passou a, cada vez mais, tentar concretizar conceitos clássicos como a Beleza, acreditando que a canonização e o ordenamento estabelecido pelos arquitectos da Antiguidade Clássica constituiam o caminho correto a ser seguido a fim de alcançar este mundo ideal. Sabendo que os valores clássicos, do ponto de vista do Cristianismo, dominante no período (e lembrando que o Renascimento surge na Itália, região da Europa onde a influência do Vaticano é a mais visível), eram considerados pagãos e objetos de pecado, o Renascimento também se caracterizou pela integração do projeto de mundo cristão com a visão de mundo clássica. A Natureza era vista como a criação máxima de Deus, o elemento mais próximo da perfeição (atingindo, portanto, o ideal de Perfeição procurado pela estética Clássica). Assim, a busca de inspiração nas formas da Natureza, tal qual propõe o Clássico, não só se justifica como passa a ser um valor em si mesmo.

Gastronomia


Servir refeições criativas e bonitas passou a ser uma obrigação. Tanto que começaram a aparecer os livros de culinária. A carne de caça era coberta com molhos finos e as sopas, que podiam ser de cebola, de favas, peixe ou mostarda, viraram moda. Em fins do século XVI, cozinheiros e massageiros italiano espalharam-se pelo mundo, divulgando essa arte.

Em Portugal


Os testemunhos mais reais da vida cultural nos meados do séc. XIV são as crónicas de Fernão Lopes, o Leal Conselheiro, o nascimento do estilo manuelino e a origem da escola de pintura portuguesa, que tem como obra mais notável o político das Janelas Verdes. São obras muito diferentes entre si, mas com características comuns: o sentido da complexidade e a originalidade. São manifestações portuguesas, e não adaptações de correntes estrangeiras. Pode, com base nelas, falar-se num renascimento quatrocentista português.

O número de livros não é grande, no século XV escreveu-se muito menos que no século XIV.

Movimento Anti-Renascentista ou Maneirismo


O Maneirismo ou Anti-Renascimento foi uma fase datada como a transição do Renascimento para o Barroco. Já alguns historiadores preferem ver o Maneirismo não como uma fase mas sim como um estilo de arte, seu início é evidente quando o Renascimento entra em decadência. Já em busca de novas fontes de criação muitos artistas apelam para o aperfeiçoamento de seus traços, uma característica evidente deste estilo, que mais tarde passa para o Barroco. Porém, a Igreja se regenera, e começa a ganhar espaço entre as artes daquele tempo, fazendo com que muitos trabalhos sejam inpirados na Igreja e em Deus, mas mesmo assim, a figura do homem não foi descartada como o centro. Com o fim do Renascimento, muitos artistas e escritores deixam de ser evidentes, pois o maneirismo além de buscar formas perfeitas, tenta com estranhas formas e contrastes representar o mundo, de forma pessimista. Muitas palavras e representações do Anti-Renascimento são feitas por meio de antíteses, paradoxos e metáforas, formas que escondem as representações do real por meio do irreal ou outras caracteríticas. Devido ao grande sucesso nos séculos XV e XVI, se originou posteriormente ao Anti-Renascimento o movimento Barroco, que se espalhou tardiamente à Europa.

Ver também



Renascimento

Renaissance | عصر النهضة | Ренесанс | Renaixement | Renesance (umělecký sloh) | Dadeni Dysg | Renæssance | Renaissance | Αναγεννησιακή τέχνη | Renaissance | Renesanco | Renacimiento | Renessanss | Pizkundea | رنسانس | Renessanssi | Renaissance artistique | Ath-bheothachadh | Renacemento | רנסאנס | Renesansa | Reneszánsz | Renaisans | Endurreisnin | Rinascimento | ルネサンス | 르네상스 | Renaissance | Renesansas | Ренесанса | Zaman Pembaharuan Eropah | Renaissance | Renaissance (14e-16e eeuw) | Renessansen | Renessansen | Odrodzenie | Renaşterea | Эпоха Возрождения | Renesansa | Renaissance | Renesancia | Renesansa | Rilindja | Ренесанса | Renässans | மறுமலர்ச்சி | ยุคฟื้นฟูศิลปวิทยา | Rönesans | Ренесанс | Phục Hưng | 文艺复兴

 

This article is licensed under the GNU Free Documentation License. It uses material from the "Renascimento (movimento cultural)".

Home Pageartsbusinesscomputersgameshealthhospitalshomekids & teensnewsphysiciansrecreationreferenceregionalscienceshoppingsocietysportsworld