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República Portuguesa
Portugal
Flag of Portugal.svgCoat of arms of Portugal.png
(Bandeira de Portugal) (Brasão de armas de Portugal)
Lema: não tem'' LocationPortugal.png Língua oficial Português Capital Lisboa Coordenadas 36º59' a 42º59' N e 6º14' a 9º33' W Maior cidade Lisboa Governo Democracia parlamentar Presidente Aníbal Cavaco Silva Primeiro-Ministro José Sócrates Entrada na UE 1 de Janeiro de 1986 Independência Do Reino de Leão¹ - Declarada 1128, como Condado
1139, como reino - Reconhecida 1143, pelo Reino de Leão
através do Tratado de Zamora
1179, pelo Papa Alexandre III Área
- Total
- % água 109ª posição
92 391 km²
0.5 % População
- Total (2004)
- Densidade 76ª posição
10.529.525
114/km² Esperança de vida
Mortalidade infantil
IDH
Analfabetismo 77,53 (52ª posição)
5,05 (201ª posição)
0,904 (27ª posição)
7,50 % (104ª posição)
PIB
- Total (2005)
- PIB per capita (2004) 33ª posição
203.947 milhões USD
18.503 milhões USD Moeda Euro² Fuso horário EST Hino nacional A Portuguesa Código Internet .pt Código telefónico 351 ¹ O conceito actual de declaração de independência não existia na altura. Nem o de reconhecimento. Portugal foi reconhecido como um reino com o seu próprio rei
² Antes de 2002: Escudo português

Portugal (de nome oficial República Portuguesa) fica situado no sudoeste da Europa, na zona Ocidental da Península Ibérica, sendo o país mais ocidental da Europa, delimitado a Norte e a Leste pelo reino de Espanha e a Sul e Oeste pelo Oceano Atlântico. O território de Portugal compreende ainda os arquipélagos autónomos dos Açores e da Madeira, situados no hemisfério norte do Oceano Atlântico, completando uma área total de 92,391 km². O arquipélago da Madeira faz parte geologicamente do continente africano, assim como as ilhas açoreanas das Flores e do Corvo, situadas além da placa atlântica, são já geologicamente parte do continente americano. É portanto um país charneira entre estes três continentes, o que explica a riqueza dos seus vários climas, diversificados, num território continentalmente limitado. A fronteira terrestre de Portugal segue ocasionalmente o curso dos rios, embora na sua maior extensão não existam barreiras naturais. Esta fronteira, que remonta ao ano de 1297, é a mais antiga da Europa.

História


Portugal foi originalmente habitado por populações ibéricas do Paleolítico, que produziram as Gravuras Rupestres do Vale do Côa, uma parte do seu território actual foi conhecido outrora pelo nome de Lusitânia e depois fez parte do Império Romano, foi posteriormente ocupado pelos Suevos em 409 que fundaram o reino de Portu-Cale, alargava-se até o Tejo com a capital em Braga. Mais tarde invadido pelos Mouros sobreviveu na zona da Península Ibérica por estes não controlada, onde foi instaurado um Condado Portucalense submisso ao Reino de Leão, do qual se tornou independente.

Portugal é assim a mais antiga nação da Europa. Sua independência seria posta em causa várias vezes por outros Reinos Ibéricos, tendo sido assegurada com a derrota do Reino de Castela na batalha Aljubarrota, em 1385, e colocada em causa de novo en sequência de uma crise de sucessão, 1580, resultando na reunificação dos Reinos Ibéricos, seria por fim restaurada em 1640 e formada a nova Dinastia de Bragança.

Com o fim das guerras entre os Reinos Ibéricos e a libertação dos seus povos do domínio Muçulmano, os portugueses viraram-se para o mar onde se tornaram dominantes, inspirados pelo infante D. Henrique o Navegador. Descobriram caminhos marítimos para regiões da América do Norte, Terra Nova Canadá, da América do Sul, África e do Oriente, indo até ao Japão e Austrália, tendo obtido grande supremacia económica política e cultural nessa altura com o controlo dessas rotas marítimas. No período de expansão, os Portugueses estabeleceram enclaves comerciais em lugares tão remotos como nas Molucas e na China, ao mesmo tempo que reclamavam para si o Brasil, situado no Novo Mundo, descoberto em 1500 por Pedro Álvares Cabral. Foi no Brasil que se refugiou a família real portuguesa quando os Franceses invadiram Portugal em 1807. O rei D. João VI regressaria a Portugal em 1821 e, no ano seguinte, o seu filho D. Pedro era proclamado imperador do Brasil independente.

Portugal foi uma monarquia até 1910, ano em que uma revolução em Lisboa obrigou o jovem rei D. Manuel II a partir para o exílio. Após vários anos de instabilidade política, com lutas de trabalhadores, tumultos, levantamentos, assassínios políticos e crises financeiras, o Exército assumiu o Poder, em 1926. O regime militar nomeou ministro das Finanças o Dr. Oliveira Salazar, professor da Universidade de Coimbra, que pouco depois foi nomeado primeiro-ministro (1932). Ao mesmo tempo que restaurou as finanças, transformou o país numa "República Corporativa" de tendência fascizante, sob a sua ditadura pessoal. Em 1968, quando uma enfermidade mortal o afastou do Poder, sucedeu-lhe no governo da nação o Dr. Marcelo Caetano.

No entanto, o descontentamento civil alastrava tanto no continente como nas colónias, onde vários "movimentos de libertação" obrigaram Portugal a uma dispendiosa presença militar. Apesar das críticas de alguns dos mais antigos oficiais do Exército, entre os quais o general António de Spínola, o governo parecia determinado em continuar esta política. Com o seu livro Portugal e o Futuro, em que defendia a insustentabilidade de uma solução militar nas guerras do Ultramar, Spínola seria destituído, o que agravou o crescente mal-estar entre os jovens oficiais do Exército que no dia 25 Abril de 1974 desencadearam um golpe de estado que derrubaria o Governo, golpe de estado que ficou conhecido como o 25 de Abril, actualmente feriado nacional. Nos dois anos seguintes, o processo revolucionário foi vigiado e controlado pelo Movimento das Forças Armadas; não obstante, seria uma fase de grande instabilidade política, com seis governos provisórios, vários levantamentos com diferentes objectivos, a rápida liquidação do Império Colonial (consumada em 1975) e a progressiva neutralização das forças mais esquerdistas, até finalizar nas eleições de 1976. O seu vencedor seria o Partido Socialista, cujo líder, Mário Soares, tomou conta do governo, ao mesmo tempo que o general Ramalho Eanes era eleito Presidente da República.

Na actualidade é um dos membros da União Europeia (a sua adesão concretizou-se em 1986) e foi um dos 12 membros que integram a Zona Euro e cuja língua é uma das 20 línguas oficiais da União Europeia. Mapa_de_Portugal_Continental.gif

Divisão administrativa


Mapa_dos_arquip%C3%A9lagos_dos_A%C3%A7ores_e_Madeira.gif

As principais divisões administrativas de Portugal são, ainda, os 18 distritos no continente e as duas Regiões Autónomas dos Açores e Madeira, que se subdividem em 308 concelhos e 4257 freguesias. Mas o país tem muitas outras formas de organização territorial. Veja subdivisões de Portugal para mais informações.

Distritos: Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Portalegre, Porto, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Viseu e Vila Real

Regiões Autónomas: Açores, Madeira.

Política


Em Portugal existem quatro Órgãos de Soberania: o Presidente da República (chefe de estado), a Assembleia da República (poder legislativo) (Parlamento), o Governo (poder executivo) e os Tribunais (poder judicial). Vigora o sistema semi-presidencialista.

O Presidente da República é o Chefe de Estado e é eleito por sufrágio universal para um mandato de cinco anos, exercendo uma função tripla de fiscalização sobre a actividade do Governo, de comando como Comandante Supremo das Forças Armadas (Exército, Armada, Força Aérea, Guarda Nacional Repúblicana) e de representação formal do Estado português no exterior. Reside oficialmente no Palácio de Belém, em Lisboa. A Assembleia da República, que reúne em Lisboa, no Palácio de São Bento, é eleita para um mandato de quatro anos. Neste momento conta com 230 deputados, eleitos em 22 círculos plurinominais em listas de partidos.

O Governo é chefiado pelo Primeiro-Ministro, que é por regra o líder do partido mais votado em cada eleição legislativa e é convidado nessa forma pelo Presidente da República para formar Governo. É o Primeiro-Ministro quem nomeia os Ministros.

Os Tribunais administram a justiça em nome do povo, defendendo os direitos e interesses dos cidadãos, impedir a violação da legalidade democrática e dirimir os conflitos de interesses que ocorram entre diversas entidades.

Desde 1975, o panorama político português tem sido dominado por dois partidos: o Partido Socialista (PS) e o Partido Social Democrata (PSD). Estes partidos têm dividido as tarefas de governar e administrar a maioria das autarquias praticamente desde a instauração da democracia. No entanto, partidos como o Partido Comunista Português (PCP), que detém ainda a presidência de autarquias e uma grande influência junto do movimento sindical ou o Partido Popular (CDS-PP) (que já governou o país em coligação com o PS e com o PSD) são também importantes no xadrez político. Para além destes têm assento no Parlamento os residuais Bloco de Esquerda (BE) e Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV).

Geografia e Clima


Situado no extremo sudoeste da Europa, Portugal Continental faz fronteira apenas com um outro país, a Espanha. O território é dividido no continente pelo rio principal, o Tejo. Ao norte, a paisagem é montanhosa nas zonas do interior com planaltos, intercalados por áreas que permitem o desenvolvimento da agricultura. A sul, até ao Algarve, o relevo é caracterizado por planícies, sendo as serras esporádicas. Outros rios principais são o Douro, o Minho e o Guadiana, que tal como o Tejo nascem em Espanha. Outro rio importante, o Mondego, nasce na Serra da Estrela (as mais altas montanhas de Portugal Continental - 1991 m de altitude máxima). As ilhas dos Açores e Madeira são localizadas no rift médio do Oceano Atlântico; algumas das ilhas tiveram actividade vulcânica recente. Originalmente formada por duas ilhas, a Ilha de São Miguel foi unida por uma erupção vulcânica em 1563. O último vulcão a entrar em erupção foi o Vulcão dos Capelinhos em 1957, na parte ocidental da Ilha do Faial, aumentando a área dessa ilha. O Banco D. João de Castro é um grande vulcão submarino que se situa entre as ilhas Terceira e São Miguel e está 14 m abaixo da superfície do mar. Entrou em erupção em 1720 e formou uma ilha, que permaneceu acima da tona de água durante vários anos. Uma nova ilha poderá surgir num futuro não muito distante. O ponto mais alto de Portugal, é o Monte Pico na Ilha do Pico, um antigo vulcão que atinge 2351 m de altitude.

A costa portuguesa é extensa: tem 943 km em Portugal continental, 667 km nos Açores, 250 km na Madeira e nas Ilhas Selvagens. A costa formou belas praias, com variedade entre falésias e areais. Na Ilha de Porto Santo uma formação de dunas chama muitos turistas. Uma característica importante na costa portuguesa é a Ria de Aveiro, estuário do Rio Vouga, perto da cidade de Aveiro, com 45km de comprimento e um máximo de 11 km de largura, rica em peixe e aves marinhas. Existem quatro canais, e entre estes várias ilhas e ilhotas, e é onde quatro rios encontram o oceano. Com a formação de cordões litorais definiu-se uma laguna, vista como um dos elementos hidrográficos mais marcantes da costa portuguesa. Portugal possuiu uma das maiores zonas económicas exclusivas (ZEE) da Europa, cobrindo 1 727 408 km².

Em Portugal continental, as temperaturas médias anuais são 13ºC no norte e 18ºC no sul. As ilhas da Madeira e dos Açores, devido à sua localização no Atlântico, são mais húmidas e chuvosas, e com um intervalo de temperaturas menor. Normalmente, os meses da Primavera e Verão são ensolarados e as temperaturas são altas durante os meses secos de Julho e Agosto, com um máximo no centro do país entre 30ºC e 35ºC, mas geralmente mais altas no Alentejo. O Outono e o Inverno são tipicamente ventosos e chuvosos, mas os dias amenos e de sol não são raros, e as temperaturas só muito ocasionalmente descem abaixo dos 5ºC, ficando-se pelos 10ºC na maioria dos casos. A neve é comum nas áreas montanhosas do Norte, especialmente na Serra da Estrela. O clima português é classificado como Temperado Mediterrânico.

Principais Cidades

Lisboa (cerca de 550 000 habitantes - 2,6 milhões de habitantes na Grande Lisboa) é a capital desde o século XII, a maior cidade do país e principal pólo económico, detendo o principal porto marítimo e aeroporto portugueses. Outras cidades importantes são as do Porto, (cerca de 260 000 habitantes - 1,3 milhões no Grande Porto) a segunda maior cidade e porto marítimo, Aveiro, Braga (Cidade dos Arcebispos), Coimbra (cidade com a mais antiga universidade do país), Évora, Faro, Setúbal e Viseu. Na área metropolitana de Lisboa existem cidades com grande densidade populacional como Agualva-Cacém e Queluz (concelho de Sintra), Amadora , Almada , Seixal e Odivelas. Na área metropolitana do Porto as localidades mais povoadas são Vila Nova de Gaia, Maia e Matosinhos. Na região autónoma da Madeira a principal cidade é o Funchal. Nos Açores existem três cidades principais que correspondem a ex-capitais de distrito, sendo elas Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, Angra do Heroísmo na ilha da Terceira e Horta na ilha do Faial.

Economia


O crescimento económico português esteve acima da média da União Europeia na maior parte da década de 1990 mas encontra-se agora abaixo da média dos 25 estados-membros. O PIB per capita ronda os 76% da média da região. O PIB português cresceu 1% em termos reais em 2004 e espera-se que cresca 1,8% (FMI) em 2005. No último trimestre de 2004, a taxa de desemprego era de 7,1%, abaixo da média europeia. Em 2006 Portugal surge no 33º lugar no ranking mundial.

Desde 1985, o país entrou num processo de modernização num ambiente bastante estável (1985 até à actualidade) e juntou-se à Comunidade Económica Europeia em 1986. Os sucessivos governos fizeram várias reformas, privatizaram muitas empresas controladas pelo Estado e liberalizaram áreas-chave da economia, incluindo os sectores das telecomunicações e financeiros. Portugal desenvolveu uma economia crescentemente baseada em serviços e foi um dos onze membros fundadores do Euro em 1999, com critérios muito restritos. Começou a circular a sua nova moeda a 1 de Janeiro de 2002 com 11 outros estados membros da UE.

Com o recurso a fundos da União Europeia, o país fez nas duas últimas décadas investimentos avultados em infra-estruturas, dispondo hoje de uma rede extensa de auto-estradas e beneficiando em geral de boas acessibilidades rodoviárias e ferroviárias.

Com um passado predominantemente agrícola, actualmente a estrutura da economia baseia-se nos serviços e na indústria, que representam 67,8% e 28,2% do VAB (Fonte: INE, 2004).

As oliveiras (4000 km²), os vinhedos (3750 km²), o trigo (3000 km²) e o milho (2680 km²) são produzidos em áreas bastante vastas. Os vinhos e azeites portugueses são bastante apreciados devido à sua qualidade. Também, Portugal é produtor de fruta de qualidade, nomeadamente as laranjas algarvias e a pêra rocha da região Oeste. Outras produções são de horticultura ou floricultura, como a beterraba doce, óleo de girassol e tabaco.

Os recursos naturais, tais como os bosques que cobrem cerca de 34% do país, principalmente pinheiros (13500 km²), sobreiros (6800 km²), azinheiras (5340 km²) e eucaliptos (2430 km²). A cortiça tem uma produção bastante significativa: Portugal produz metade da cortiça produzida no mundo. Recursos minerais significativos são o volfrâmio, o estanho e o urânio.

As maiores indústrias transformadoras são os têxteis, calçado, cabedal, mobiliário, mármores, cerâmica (de destacar a Vista Alegre) e a cortiça. As indústrias modernas desenvolveram-se significativamente: refinarias de petróleo, petroquímica, produção de cimento, indústrias do automóvel e navais, indústrias eléctricas e electrónicas, maquinaria e indústrias do papel. Portugal tem um complexo de indústrias petroquimicas em Sines, dotado de um porto. A indústria automóvel localiza-se em Palmela (a maior infra-estrutura é a Autoeuropa), Setúbal, Porto, Aveiro, Braga, Santarém e Azambuja.

O balanço comercial português é negativo. O país compra principalmente dentro da União Europeia: Espanha, Alemanha, França, Itália e Reino Unido. E, também, vende a maioria dos seus produtos dentro da União: Alemanha, Espanha e França são os parceiros principais.

Demografia


População de Portugal (INE, Lisboa)
Ano Total Variação Ano Total Variação
align=bottom |
1801 2.845.990 - 1940 7.722.152 13,1%
1849 3.411.454 19,9% 1950 8.510.240 10,2%
1864 4.188.419 22,8% 1960 8.851.240 4,0%
1890 5.049.729 20,5% 1970 8.648.369 -2,3%
1911 5.969.056 18,2% 1981 9.833.041 13,7%
1920 6.032.991 1,1% 1991 9.862.540 0,3%
1930 6.825.883 13,1% 2001 10.356.117 5,0%

Os Portugueses são de população europeia mediterrânica. Na sua origem está essencialmente uma mistura de tribos Celtas e Iberas (chamados Celtiberos, como os Lusitanos, os Galaicos ou "gallaeci" e os Cónios, entre outras menos significativas. Outras influências importantes foram também os Romanos (a Língua portuguesa deriva do Latim), os Visigodos e os Suevos, todos os quais povoaram o que é hoje território português. Influências menores foram os Gregos e os Fenícios-Cartagineses (com pequenas feitorias comerciais costeiras semi-permanentes), os Vândalos (Silingos e Asdingos) e os Alanos (ambos expulsos ou parcialmente integrados pelos Visigodos) e os Mouros (predominantemente no sul). Com os Descobrimentos deu-se um grande afluxo de população africana à Capital do país, Lisboa, que se manteve durante os séculos seguintes.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística (ine.pt), em 2004 Portugal teria uma população estimada em 10.529.525 indivíduos, uma subida de 0,52% face ao ano anterior, o que é um abrandamento quando comparado com os 0,64% de 2003. O último censo data de 2001. Estes valores representam uma densidade populacional de 107 pessoas por quilómetro quadrado, ou 277 por milha quadrada.

O afluxo de imigrantes é responsável por um crescimento de 0,45%, enquanto o crescimento natural (nascimentos menos os óbitos) correspondeu a um incremento de 0,07%.

Em 2004 os nascimentos diminuíram 2,9% face a 2003, enquanto os óbitos sofreram uma redução de 6,2%: Portugal registou 109.356 nascimentos em 2004, menos 3.233 face a 2003. O número de óbitos foi de 102.371, invertendo a tendência de subida registada nos três anos anteriores.

Idiomas


De acordo com a Constituição, Portugal tem uma língua oficial: o Português. Utilizado pela totalidade da população é o português, a segunda língua de origem latina mais falada no mundo e uma das línguas de trabalho em diversas organizações internacionais. A língua portuguesa, que descende da língua galaico-portuguesa falada na Idade Média no noroeste peninsular, tem vários dialectos.

A língua mirandesa com origem no asturo-leonês não tem estatuto de língua oficial, mas goza de prtotecção especial desde 1999 e é ensinada facultativamente como segunda língua nas escolas do concelho de Miranda do Douro e de parte do concelho de Vimioso. O seu uso, no entanto, é bastante restrito, estando em curso acções que garantam os direitos linguísticos à sua comunidade falante.

Cultura


Arquitectura

A "Arquitectura Popular Portuguesa" marcou a arquitectura portuguesa dos anos 50 que prevaleceu até ao final do Salazarismo. Assiste-se hoje, em Portugal, a um fenómeno complementar e inovador, a arquitectura contemporânea, no âmbito da arquitectura portuguesa que, contrapõe a, conceitos velhos e conservadores de tradições e modos de operar, a uma intenção afirmada, de inovar o espaço e construí-lo com conceitos, materiais e técnicas que permitam viver em pleno a contemporaneidade. A arquitectura contemporânea cruza várias gerações em simultâneo que marcaram e continuam a marcar arquitectura portuguesa, desde meados do século XX até aos nossos dias. Fernando Távora, Manuel Taínha, Álvaro Siza, Victor Figueiredo, Gonçalo Byrne, Eduardo Souto Moura, Filipe Oliveira Dias e Carrilho da Graça são os arquitectos que traduzem o que de melhor se produz, de arquitectura, em portugal. No entanto, estes projectos totalizam uma pequeníssima parte das construções efectuadas no país, que são na sua grande maioria totalmente desprovidas de rigor e harmonização urbanístico. Portugal é o único país da UE em que o PDM das autarquias não tem instrumentos de harmonização de projectos apresentados ou meios para combater a construção que não esteja de acordo com a lei. Se ao fim de 30 dias uma autarquia não se pronunciar sobre um determinado projecto ele está aprovado tacitamente, independentemente das suas valências estéticas, funcionais ou volumetria.

Literatura

Na literatura portuguesa, é eminente a poesia, estando entre os maiores poetas portugueses de todos os tempos Luís de Camões e Fernando Pessoa, aos quais se pode acrescentar Cesário Verde, Florbela Espanca, António Ramos Rosa, Mário Cesariny, Antero de Quental e Herberto Helder, entre outros. Na prosa, Damião de Góis, o Padre António Vieira, Almeida Garrett, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Miguel Torga, Fernando Namora, José Cardoso Pires, António Lobo Antunes e José Saramago (prémio Nobel) são nomes de grande relevo. No teatro, destaca-se a figura maior de Gil Vicente, séc. XV.

Música

A música tradicional portuguesa é variada e muito rica. Do folclore fazem parte as danças do vira, do Minho, dos Pauliteiros de Miranda, da zona mirandesa, do Corridinho do Algarve ou do Bailinho, da Madeira. Instrumentos típicos são o cavaquinho, a gaita-de-foles, o acordeão, o violino, os tambores, a guitarra portuguesa (instrumento característico do fado) e uma variedade de instrumentos de sopro e percussão.

O mais conhecido estilo de música português é o Fado, cuja intérprete mais célebre foi Amália Rodrigues. Mais recentemente, através dos Madredeus, cuja vocalista é a conhecida Teresa Salgueiro, e pelas cantoras Mariza e Dulce Pontes, a música portuguesa além fronteiras tem atingido um patamar de reconhecimento internacional e tem ajudado a divulgar a língua portuguesa em todo o mundo.

Ainda na cultura popular existem as bandas filarmónicas que representam cada localidade e tocam vários estilos de música, desde a popular à clássica, sendo as bandas portuguesas das que melhor qualidade artística têm. Em Portugal existem nomes de grande relevância nas filarmónicas, tais como: Ilídio Costa, Carlos Marques, Alberto Madureira, José Raminhos, Amilcar Morais, etc.

Referências da canção de finais do século XX (principalmente do período pré e pós revolucionário) são Zeca Afonso, Sérgio Godinho, os Trovante entre outros. Mesmo sendo ainda o fado o género mais conhecido além fronteiras, a "nova" música portuguesa também tem um papel importante, demonstrando grande qualidade. Jorge Palma, Rui Veloso, Clã, GNR, Ornatos Violeta, Xutos & Pontapés, Moonspell, Da Weasel, Fingertips e Primitive Reason são apenas alguns dos nomes mais conhecidos, indo do Rock, à pop-electrónica, ao rap, entre outros estilos.

Na música erudita, as grandes referências actuais são os pianistas Artur Pizarro, Maria João Pires e Sequeira Costa.

Gastronomia

A gastronomia é muito rica em variedade e do agrado de nacionais e estrangeiros em geral. Cada zona do país tem os seus pratos típicos, incluindo os mais diversificados alimentos, passando pelas carnes de gado, carneiro, porco e aves, pelos variados enchidos, pelas diversas espécies de peixe fresco e marisco (grande variedade de pratos de bacalhau). Entre os queijos sobressaem os da Serra da Estrela e de Azeitão, entre muitos outros.

Portugal é um país fortemente vinícola, sendo célebres os vinhos do Douro, do Alentejo e do Dão, os vinhos verdes do Minho, e os licorosos do Porto e da Madeira. A nível de doçaria, e por entre uma enorme variedade de receitas tradicionais, são muito famosos os chamados pastéis de Belém, mantendo-se o segredo da sua confecção bem guardado, assim como os "ovos moles de Aveiro", os "pastéis de Tentúgal", a "sericaia" ou o "pão-de-ló de Ovar", a par de muitos outros.

De entre os pratos típicos, são de destacar o cozido à portuguesa, o bacalhau à Braz, à Gomes de Sá ou em pastéis, as espetadas da Madeira, o cozido vulcânico dos Açores (S. Miguel), o leitão assado à moda da Bairrada os rojões de Aveiro e do Minho, a chanfana da Beira, a carne de porco à alentejana, típica da zona de Braga, os peixes grelhados(em todo o país), as tripas (da região do Porto), as pataniscas (da região de Lisboa) ou o gaspacho (do Alentejo e Algarve). A cozinha portuguesa influenciou também outras gastronomias, tais como a japonesa, com a introdução da tempura.

Turismo

  • Lista das regiões de turismo de Portugal
  • O Algarve, no sul de Portugal, é por excelência o ponto turístico de portugueses e estrangeiros. O clima e a temperatura da água são os principais factores que contribuem para o grande crescimento do turismo nesta região. A inauguração do aeroporto de Faro na década de 1960 contribuiu decisivamente para o afluxo de turistas das mais diferentes nacionalidades, em especial britânicos, alemães e escadinavos.
  • Lisboa atrai muitos turistas pela história, e pelo recheio de monumentos (como o Aqueduto das Águas Livres, a Sé Catedral, a Baixa Pombalina, a Torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos. Pontos fortemente turísticos são os museus de Arte Antiga, dos Coches, e do Azulejo, a fundação Calouste Gulbenkian, o Centro Cultural de Belém e o teatro de ópera de São Carlos.
  • O Porto é uma cidade que vem conquistando um lugar de relevo no panorama cultural do país e da Europa. Foi Capital Europeia da Cultura em 2001. A Fundação de Serralves e a Casa da Música são de visita obrigatória, bem como a Torre dos Clérigos (ex-líbris da cidade) e a Sé. De destacar ainda o Teatro Nacional S. João, os Jardins do Palácio de Cristal e toda a zona do centro histórico.
  • A Madeira é também um pólo turístico, tanto pelo seu clima ameno durante todo o ano como pela sua excepcional gastronomia.
  • A Península de Setúbal tem das mais variadas caracteristicas naturais e culturais destacando-se a Serra da Arrábida, as Praias de Almada e Sesimbra, a Baía Natural do Seixal, as salinas de Alcochete, os Moinhos de Maré, as embarcações típicas do Tejo e Sado, as antigas vilas piscatórias e toda a fauna e flora ribeirinha.
  • Na lista do Património Mundial encontram-se os centros históricos do Porto, Angra do Heroísmo, Guimarães, Évora e Sintra, bem como monumentos em Lisboa, Alcobaça, Batalha, Tomar, as gravuras paleolíticas ao longo do Rio Côa, a floresta laurissilva da Ilha da Madeira, e as paisagens vitivinícolas da Ilha do Pico e do Rio Douro.
  • Portugal é também um pais onde se pratica, além de muitos outros desportos, surf. Entre os melhores estão o Guincho, Peniche, Ericeira, Carcavelos, S. Pedro e S. João do Estoril, Costa da Caparica e São Torpes.
  • Outras atracções importantes turísticas são as cidades de Braga (Centro Histórico, Bom Jesus e Bracalândia), Bragança (Centro Histórico, Castelo e Teatro Municipal), Chaves (Centro Histórico e Termas), Coimbra (Universidade, Judiaria e Portugal dos Pequeninos)e Vila Real (Solar de Mateus e Teatro Municipal).

Religião

A maioria dos Portugueses (cerca de 84% da população total - segundo os resultados oficiais do Censos 2001), inscrevem-se numa tradição católica. A prática dominical do Catolicismo segundo um estudo da própria Igreja Católica (também de 2001) é realizada apenas por 1.933.677 católicos praticantes (18.7% da população total) e o número de comungantes é de 1.065.036 (10.3% da população total). Cerca de metade dos casamentos realizados são casamentos católicos (que têm validade civil automática). Actualmente, e porque a Igreja Católica ainda não prevê a figura do divórcio, do ponto de vista religioso, aos católicos não existirá possibilidade da separação após o casamento, embora a figura esteja prevista no Código de Direito Civil e tenha prevalência legal sobre o compromisso religioso. Existem vinte dioceses em Portugal, agrupadas em três províncias eclesiásticas: Braga, Lisboa e Évora.

O protestantismo em Portugal possui várias denominações actuantes maioritariamente de cultos com inspiração evangélica neopentecostal (ex: Assembléia de Deus e Igreja Maná) ou de imigração brasileira (ex: IURD).

A comunidade judaica em Portugal conseguiu manter-se até à actualidade, não obstante a ordem de expulsão dos Judeus a 5 de Dezembro de 1496 por decreto do Rei D. Manuel I, obrigando muitos a escolher entre conversões forçadas ou a efectiva expulsão do país, ou à prisão e consequentes penas decretadas pela Inquisição portuguesa, que, precisamente por este motivo acabou por ser uma das mais activas na Europa. A forma como o culto se desenvolveu na vila raiana de Belmonte é um dos exemplos de preseverança dos Judeus como unidade em Portugal. Em 1506, em Lisboa, dá-se um massacre de Judeus em que padeceram cerca de 30.000 crentes, um dos mais violentos na época, a nível europeu.

Existem ainda minorias islâmicas e hindus, com base, na sua maioria, em descendentes de emigrantes, bem como alguns focos pontuais (alguns apenas a nível regional) de budistas, gnósticos e espíritas.

A Constituição Portuguesa garante liberdade religiosa mas a igualdade entre religiões é contrariada pela existência da Concordata que dá benefícios específicos à Igreja Católica. É comum que em cerimónias oficiais públicas como inaugurações de edifícios ou eventos oficiais de Estado haver a presença de um representante da Igreja Católica, ou, nas cerimónias oficiais, são associados actos religiosos católicos como bençãos ou missas.

O estatuto religioso dos políticos eleitos é normalmente considerado irrelevante pelos eleitores. A exemplo disso, os últimos Presidentes da República eram pessoas assumidamente laicas.

Igualdade de Género

Portugal é o país da União Europeia com maior população activa feminina mas, em grande medida devido ao tardio reconhecimento de plenitude de participação na vida cívica da mulher, é um dos países da UE em que maior é a assimetria entre homens e mulheres em termos de compensação financeira por trabalho idêntico. Às mulheres está vedado o direito a interromperem a gravidez caso assim o entendam, aspecto em que Portugal só é equiparável à Polónia dentro da UE. É ainda o 3º país da UE em termos de violência doméstica sobre as mulheres, atrás da Espanha e da Grécia. No entanto, vários relatórios da Amnistia Internacional e da APAV referem que o nro de ocorrências é bastante maior do que as que são referidas. Segundo um estudo de Sofia Aboim realizado na série "modelos de conjungalidade" cerca de 1/3 das mulheres portuguesas não esperam que os seus esposos as assistam nas tarefas domésticas.

Feriados


Data Nome Observações
1 de Janeiro Ano Novo Passagem de ano, início do ano, marca o fim da época de férias.
Terça-feira, festa móvel Carnaval Feriado facultativo, sendo rara a sua não utilização na prática. A data tem origem na tradição pagã de celebrar o final do inverno e foi depois adaptada pela Igreja Católica marcando agora o período de 40 dias antes da Semana Santa, sendo conhecido também por Entrudo.
Sexta-feira, festa móvel Sexta-Feira Santa Em algumas localidades este feriado pode ser celebrado noutra data na época da Páscoa de acordo com a tradição local.
Domingo, festa móvel Páscoa Sendo celebrado a um domingo não é classificado como feriado oficial. As tradições gastronómicas da Páscoa variam muito entre as diversas regiões do país desde o Pão-de-Ló ao Folar. Em algumas regiões a tração do Compasso ainda se mantém mesmo nas grandes cidades quando um pequeno grupo visita cada casa com um cruxifixo e onde é feita uma pequena cerimónia de benção da casa. Também é altura da segunda vista tradicional dos afilhados solteiros aos respectivos padrinhos para receberem a prenda de Páscoa. 7 dias antes no Domingo de Ramos os jovens oferecem flores à madrinha.
25 de Abril Dia da Liberdade Celebração da Revolução dos Cravos que marcou o fim em 1974 do regime dictatorial.
1 de Maio Dia do Trabalhador
Quinta-feira, festa móvel Corpo de Deus Segunda quinta-feira a seguir à Festa de Pentecostes (Espírito Santo)
10 de Junho Dia de Portugal Oficialmente Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas. A data do falecimento de Luís Vaz de Camões em 1580 é utilizada para relembrar não só os feitos passados como os milhões de Portugueses que vivem fora do seu país natal.
15 de Agosto Assunção de Nossa Senhora
5 de Outubro Implantação da República em 1910
1 de Novembro Todos os Santos Tradicionalmente utilizado para recordar entes falecidos.
1 de Dezembro Restauração da Independência Face à Espanha, em 1640.
8 de Dezembro Imaculada Conceição Padroeira de Portugal desde 1646.
25 de Dezembro Natal A noite de 24 para 25 é marcada com uma reunião familiar com um jantar que varia de região para região embora o bacalhau com batatas se tenha tornado cada vez mais popular e o Bolo Rei incluído na sobremesa. No final do jantar trocam-se presentes.



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