Porfírio (c.232- c.304), foi um filósofo neoplatônico e um dos mais importantes discípulos de Plotino, responsável por organizar e publicar 54 tratados do mestre na obra As Enéadas, composta por seis livros. Escreveu ainda uma biografia de Plotino (A Vida de Plotino) e comentários à obras de Platão e Aristóteles. Seu livro Introductio in Praedicamenta foi traduzida para o latim por Boécio e transformou-se num texto padrão nas escolas e universidades medievais, possibilitando desenvolvimentos na filosofia, teologia e lógica durante a Idade Média.
Em 262, foi à Roma, atraído pela reputação de Plotino, e durante seis anos devotou-se ao estudo do neoplatonismo. Com a saúde debilitada pelo trabalho excessivo, foi viver na Sicília por cinco anos. De volta à capital italiana, passou a lecionar e a organizar os trabalhos de Plotino (na época, já falecido), de modo a torná-los compreensíveis ao público.
Seu maior pupilo foi Jâmblico, com o qual diferiu acerca da teurgia. Em seus anos finais, Porfírio casou-se com Marcella, uma viúva de sete filhos e estudante entusiasta de filosofia. Nada mais é sabido de sua vida e a data de sua morte é incerta.
Em sua obra Introductio in Praedicamenta (também conhecida como Isagoge, nome da tradução latina feita por Boécio), um comentário da obra Categorias, de Aristóteles, Porfírio descreve como as qualidades atribuídas às coisas podem ser classificadas, quebrando o conceito filosófico da substância como um genus/espécie do relacionamento. Com isso, Porfírio pôde incorporar a lógica aristotélica ao neoplatonismo, especialmente a doutrina das categorias do ser interpretada nos termos das entidades. Nesse mesmo livro, encontra-se a famosa "Árvore de Porfírio" (Arbol porphyriana), que ilustra sua classificação lógica da substância. Para Porfírio, os conceitos se subordinam, partindo dos mais gerais até chegar aos menos extensos. A Arbol porphyriana deu início ao nominalismo, que animou a filosofia medieval por dez séculos e é uma espécie de antecessora das modernas classificações taxonômicas. Grosso modo, ela pode ser assim esquematizada:
Assim como muitos filósofos do Império Romano, Porfírio foi violento opositor do Cristianismo e defensor do Paganismo. Chegou a escrever uma obra de nome Contra os Cristãos, dividida em 15 livros, dos quais só restam fragmentos. Diversos tratados foram escritos contra ela, destacando-se os de Eusébio de Cesaréia, Sidônio Apolinário, Metódio de Olímpia e Macarius Magnes, mas todos estão perdidos. No 12º livro, dedicado aos ataques ao livro de Daniel, Porfírio afirma que o livro era uma falsificação, sendo seu autor um judeu da época de Antíoco Epifânio (século II a.C.).
Juntamente com Pitágoras, ele também foi defensor do vegetarianismo. Esses dois filósofos, ao lado de Apolônio de Tiana, são os vegetarianos mais famosos da Antigüidade Clássica. Sobre esse tema, escreveu De abstinentia ab esum animalum (Da Abstinência do Alimento Animal) e De non necandis ad epulandum animantibus (aproximadamente, Da Inadequação da Matança de Seres Vivos para Alimentação), sendo o primeiro livro citado até hoje como referência obrigatória para a literatura vegetariana.
Porfírio escreveu ainda sobre astrologia, religião e teoria musical. Além da biografia de Plotino, foi o autor de uma biografia de Pitágoras (Vita Pythagorae), que não deve ser confundida com o livro homônimo de Jâmblico.
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