Periodontia é a ciência que estuda e trata as doenças do sistema de implantação e suporte dos dentes. Este aparelho é formado por osso alveolar, ligamento periodontal e cemento.
Periodonto 1.Anatomia do periodonto 1.1.Gegiva 1.2.Ligamento periodontal 1.3.Osso alveolar 1.4. Cemento radicular Patogenese da Doença periodontal 2. A doença periodontal 2.1. Placa bacteriana 2.2. gengivite 2.3. periodontite
O periodonto (peri = em volta de, Odonto = dente) compreende os seguintes tecidos 1. gengiva 2. ligamento periodontal 3. cemento radicular 4. osso alveolar – Função do periodonto: Inserção do dente ao tecido ósseo dos maxilares e conservar a superfície da mucosa mastigatória da cavidade bucal. O periodonto também é chamado de aparato de inserção ou de tecido suporte do dente e estabelece uma unidade funcional biológica e evolutiva que sofre modificações com a idade e com relação às modificações do meio bucal. O desenvolvimento dos tecidos periodontais se produz ainda na fase embrionária durante o desenvolvimento e formação dental, este processo começa precocemente ainda no feto em formação. É um tecido ectomesenquimal que passa por fases de desnvolvimento (fase de germem, de coifa e de campana) resultando na formação dental e dos tecidos circundantes, incluindo o osso alveolar própriamente dito. O ectomesenquima através da papila dental parece também determinar a forma e o tamanho do dente. Experimentos demonstram que toda a informação necessária para a formação dental e sua inserção, reside dentro dos tecidos do órgão do esmalte e do ectomesenquima circundante. O desenvolvimento radicular e dos tecido periodontais é posterior a formação da coroa. O primeiro tecido duro que se forma na raiz dental é o manto dentinário que se projeta da dentina coronária. Esta dentina ainda não mineralizada continua sua formação em direção apical e assim se estabelece a forma da raiz dental, nesta etapa inicia-se a formação do cemento radicular acelular. Alguns fenômenos da cementogenese ainda não estão claros.
Gengiva Mucosa oral, composição: 1. mucosa mastigatória – gengiva e revestimento do palato duro 2. mucosa especializada – recobre o dorso da lingua 3. mucosa alveolar – parte restante a gengiva é parte da mucosa mastigatória que recobre o processo alveolar e está em torno da porção cervical dos dentes. A gengiva com sua forma e testura é obtido na erupção dos dentes. Cor: rosa pálido Pode-se distingüir duas partes da gengiva: • Gengiva livre – de consistencia firme, superfície opaca e cor rosa pálido ou coral compreende o tecido gengival das áreas mais próximas aos dentes. • E gengiva inserida – continuação da gengiva livre porém firmemente aderida ao tecido ósseo, também tem cor rosa pálida e separada da mucosa oral (alveolar) por uma linha - linha mucogengival. a mucosa oral tem cor vermelho escura, é mais fina e podem ser vistos pequenos capilares.
Ligamento Periodontal: Tecido conjuntivo celular ricamente vascularizado e mole que está em torno da raiz do dente e une o cemento radicular com a lamina dura do osso alveolar próprio. Em radiografias da região de pré molares o Ligamento Periodontal está incluido no espaço entre as raízes dos dentes e a lamina dura ou osso alveolar próprio. O osso alveolar está circundando o dente à um nível de aproximadamente 1mm apical a junção cemento esmalte. O limite coronário do osso é denominado de crista óssea alveolar, podemos distinguir dois tipos de tecido ósseo alveolar: 1– a parte de osso alveolar que recobre o alveolo também chamado de osso cortical ( lamina dura) 2- a porção do processo alveolar que radiograficamente tem a aparencia de uma rede também denominada osso esponjoso. O Ligamento Periodontal se comunica através de canais vasculares (canais de Volkmann) com os espaços medulares do osso alveolar próprio. Sua espessura é de cerca de 0,25mm e sua presença faz possível a distribuição e reabsorção de forças durante a mastigação e em outros contato dentais dentro do processo alveolar através do osso alveolar próprio. O LP também é essencial para a mobilidade dental, que vai ser determinada pela sua largura, altura e qualidade. o dente está unido ao osso por bandas de fibras colágenas que podem ser divididas nos seguintes grupos: 1- fibras da crista alveolar 2- fibras horizontais 3- fibras oblíquas 4- fibras apicais O Ligamento Periodontal e o cemento radicular são desenvolvidos apartir do tecido conjuntivo mole da campana (folículo) que se encontra em torno do dente. Estágios na organização do LP
O processo alveolar é definido como parte da mandíbula e maxila que formam o suporte dos alveolos dos dentes, o processo alveolar se desenvolve em conjunção com o desenvolvimento da erupção dental e é gradualmente reabsorvido quando os dentes são perdidos. Constituido de osso que é formado tanto pelas células do folículo dental o osso alveolar próprio como das celulas que são independentes do folículo dental. junto com o cemento e com a mebrana periodontal, o osso alveolar constitui o aparato de inserção do dente. Sua principal função é distribuir e reabsover as forças geradas pela mastigaçao e outros contatos dentais. O osso das paredes dos alveolos estam delimitadas por um osso compacto, as áreas entre os alveolos compreendem uma parede de osso compacto preenchida por osso esponjoso. O osso esponjoso ocupa a maior parte do osso interdental, e uma pequena porção de tábuas ósseas vestibular e palatina. O osso esponjoso contém trabeculas ósseas e uma arquitetura e tamanho que são determinadas geneticamente, e sendo também o resultado parcialmente resultante das forças que os dentes estam expostos durante a função. podem haver defeitos ósseos causados por má disposição dos dentes, fatores genéticos e ou funcionais além de fatores sistêmicos - doenças que afetem a formação óssea (por exemplo). A compacta ósse que radiograficamente aparece como uma linha de lamina dura delinea os alveolos e é perfurado por numerosos canais de Volkmann por meio dos quais vasos sanguíneos, linfáticos e fibras nervosas passam do osso alveolar para o LP. ] Cemento radicular: É um tecido mineralizado especializado que recobre a superfície da raíz. Tem muitas características comuns com o tecido ósseo do dente, entretanto o cemento não contém vasos sanguíneos nem linfáticos, não possui inervação e não entra em reabsorção fisiológica ( ou remodelação), mas é caracterizado por uma contínua deposição ao longo da vida. Como outros tecidos mineralizadso consiste de fibras colágenas embebidas em matriz organica. O mineral contido é principalmente a hidroxiapatita com cerca de 65% do seu peso, um pouco mais que o osso (60%). O cemento serve diferentes funções: insere as fibras do ligamento periodontal da raíz e contribui para o processo de reparação após o dano da superfície radicular. Dois tipos de cemento são reconhecidos: 1- cemento primário ou acelular que se forma em conjunção à formação da raíz e da erupção dental e 2- cemento secundário ou celular que se forma após a erupção da raíz e em resposta às demandas funcionais, entretanto áreas com cemento acelular ou celular podem se alternar na superfície da raíz. O cemento celular vai ser formado sobre o cemento primário acelular no período funcional do dente. Algumas destas células são incorporados ao cementóide que subsequentemente se mineraliza para formar o cemento, assim estas células aprisionadas no cemento são denominadas cementócitos e o cemento celular é apenas encontrado na área intra alveolar. Os cementócitos se comunicam entre si através de uma rede de processos citopalsmáticos que correm por meio de canalículos no cemento, ocorrendo o mesmo processo para a comunicação entre os cementócitos e cementoblastos. A presença de cementócitos transportam nutrinetes para o cemento e contribuem para a manutenção da vitalidade deste tecido mineralizado. A porção das fibras inseridas no cemento da raíz e do osso alveolar são chamadas fibras de Sharpey.
Patogenese da doença periodontal
Doença Periodontal Sabendo da forma e função dos tecidos que envolvem os dentes podemos agora conhecer as doenças que afetam esta região:
Placa bacteriana Entre a gegiva (gengiva livre) e o dente há um espaço reduzido (cerca de 1 a 3 milímetros de profundidade) onde aloja-se a placa bacteriana. Esta placa é um biofilme aderido à superfície do dente que é melhor removido com sob ação mecanica - escovação e uso de fio dental e escovas interdentais. A massa bacteriana aumenta com o contínuo crescimento da aderencia de organismos, com a adesão de novas bacterias, e com a síntese de polímeros extracelulares. Com o aumento da espessura, a difusão dentro e fora do biofilme começa a tornar-se mais e mais difícil. Como resultado da rápida utilização do oxigenio pelas bacterias superficiais depositadas e da pobre difusão através da matriz do biofilme desenvolve-se um gradiente de oxigenio.O oxigenio é um determinante ecológico importante já que as bacterias variam em suas habilidades de crescer e multiplicar a diferentes níveis de oxigenio. Produtos de dieta dissolvidos na saliva são uma importante fonte de nutrientes para as bacterias da placa a baixo da linha da gengiva. Os resíduos do metabolismo destas bacterias e as próprias bacterias acabam por afetar a gengiva, causando uma inflamação. A esta inflamação damos o nome de GENGIVITE Uma vez estabelecida a gengivite e sem que haja a interferencia na contínua formação da placa bacteriana, (controle mecanico da placa) pode se desenvolver um quadro de Periodontite. Periodontite: A periodontite é então uma inflamção que vai além da gengiva alcançando o tecido ósse subjacente, o Ligamento periodontal e o cemento radicular formando a bolsa periodontal; ou seja um espaço entre a gengiva e o dente maiores que 3 milimetros de profundidade, e acarretando em perda óssea. Muitas bacterias encontradas em bolsas periodontais produzem enzimas hidrolíticas com as quais podem quebrar macromoléculas complexas do hospedeiro em simples peptídeos e aminoácidos. Estas enzimas podem ser a maior causa do processo destrutivo dos tecidos periodontais. E uma vez destruido o osso e principalmente o ligamento periodontal dificilmente vamos conseguir a regeneração destes tecidos. Este processo inflamatório é acompanhado de um processo imune, ambos atuam no tecido gengival afim de proteger o homem contra o ataque microbiano e prevenir que estes avancem ou invadam os tecidos, em alguns casos estas reações de defesa do hospedeiro podem ser prejudiciais ao próprio hospedeiro podendo danificar células e estruturas do tecido conjuntivo adjacente. Assim as reações inflamatória e imune podem extender-se em profundidade sob a base da bolsa no tecido conjuntivo, podendo envolver o osso alveolar neste processo destrutivo. Este processo “defensivo” pode paradoxalmente explicar muitas das injúrias teciduais observadas na gengivite e periodontite. A consequencia da periodontite, quando deixada sem tratamento, pode ser a perda do elemento dental, mobilidade dental, sensibilidade dental, abscessos, espaços aumentados (diastemas) entre os dentes modificação na estética do sorriso, e várias consequencias com relação à oclusão. Odontologia
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