Fisicamente é preciso distinguir três coisas: o vácuo, o vazio e o nada. O vácuo é um espaço não preenchido por qualquer matéria, nem sólida, nem líquida, nem gasosa, nem plasma. Mas pode conter campos: campos elétricos, campos magnéticos, campos gravitacionais, luz, ondas de rádio ou outros campos não materiais. O vazio já seria um espaço sem matéria e sem nenhuma outra coisa, nem campos, nem luz, nem ondas. Mas no vazio ainda haveria o espaço vazio, isto é, a capacidade de caber algo, só que não tem. No Universo não existe vazio completo, pois todo o espaço é preenchido por campo gravitacional e pela luz que o atravessa, além de neutrinos ou outras partículas e campos, mesmo que rarefeitos. No nada não existe nem o espaço, isto é, não há coisa alguma e nem um lugar vazio para caber algo. O nada não é um lugar. É algo que não é lugar, um não-lugar. É impossível estar-se no nada porque sempre tem-se que estar em algum lugar. Mesmo um ponto infinitesimal está em certo lugar do espaço (que é o conjunto dos pontos, isto é, das possibilidades de localização). Por definição quando se fala de existência se fala da existência de algo. E o nada não é coisa alguma. O nada é um sintagma, uma representação linguística do que se pensa ser o nada. Só se conhecem representações dele, mas essas representacoes têm orígem mental, pois não existe o nada. A definicäo de "nada" se dá somente por meio da negacäo de tudo o que existe, portanto o nada näo é definido ou conceituado positivamente (uma definição é se dizer o que a coisa é), mas apenas representado, fazendo-se a relacäo entre seu símbolo (a palavra "nada") e a idéia que se tem da näo-existencia de coisa alguma. O "nada" näo existe, mas é concebido por operacöes de mente.
Nichts | Nothing | Nenio | Néant | Het Niets | Ingenting | Niebyt