A Gonorréia ou Blenorragia uma doença sexualmente transmissível - D.S.T., causada pela bactéria Neisseria gonorrheae, ou gonococo.
É transmitida pelo gonococo Neisseria gonorrheae uma bactéria Gram-negativa, que tem forma de diplococo com cerca de 1 micrómetro (assemelham-se a um rim) que se agrupam aos pares.
O fator mais importante de virulência do gonococo é a existência de pílios e da proteína Opa. Estas estruturas permitem à bactéria permanecer aderente à mucosa do tracto urinário, resistindo ao jato da micção.
O gonococo infecta principalmente as células cilindricas da uretra, poupando geralmente a vagina e útero, cujos epitélios são de células escamosas..
Ocorre durante o acto sexual quando a(o) companheiro(a) estão contaminados; no parto se a mãe estiver infectada ou por contaminação indireta se por exemplo, uma moça usar artefatos íntimos de uma amiga contaminada. Há casos raríssimos de contágio em vasos sanitários, se houver um ferimento proeminente na vulva feminina e por contágio através de uso de artefatos contundentes ou agulhas infectadas chamada séptemia gonocóquica.
O intervalo de tempo entre a contaminação e o surgimento dos sintomas e o período de incubação é curto, de 2 a 4 dias, excepcionalmente podendo alcançar 10 dias, em casos extremamente raros pode chegar a 30 dias.
Normalmente os mais comuns no homem são a ardência ao urinar ou disúria acompanhada de febre baixa e o aparecimento de um corrimento amarelo e purulento saindo da uretra. Por isso é também conhecida como uretrite gonocócica. Das mulheres, 50% não apresentam sintomas (perigoso porque podem se desenvolver compliações sem tratamento). Nas restantes é comum ocorrerem dores ou disúria ao urinar, acompanhada de Incontinência Urinária(urina solta) e corrimento vaginal. Uma complicação perigosa é consequência de disseminação para o tracto genital superior, com dores abdominais após algumas semanas da contaminação, a DIP – Doença Inflamatória Pélvica. Esta é devida a infecção do útero, tubas uterinas e cavidade abdominal. pode resultar em infertilidade.
No homem pode haver prostatite, epididimite e raros casos de infertilidade. Na mulher a infecção gonocócica não costuma se manter na vagina devido as defesas naturais, por ser este um ambiente ácido. Já a uretra, o colo do útero e glândulas da vulva são comumente atingidas pelo gonococo em face da concepção orgânica de cada pessoa e dobras naturais que favorecem a proliferação das bactérias. Nas trompas ocorre a invasão progressiva acompanhada de reação inflamatória, podendo produzir abscessos ou obstruções severas. Na região da vulva pode afetar a Glândula de Bartholin, ocasionando as chamadas Bartholinites: essa inflamação deixa a vulva sensível e perigosamente exposta a novas infecções. Em alguns casos raros não tratados o gonococo pode se disseminar através da circulação, afetando principalmente a pele, articulações, cérebro, válvulas cardíacas, faringe e olhos.
É comum estar associada a infecção por Chlamidia trachomatis.
Causada pela bactéria Oftálmia neonatorum, instala-se nos olhos originando a conjuntivite gonocócica. No adulto ela ocorre por auto inoculação. Para evitar esta complicação que deixa a criança cega, era utilizada nas maternidades um colírio de nitrato de prata (técnica de Crede). Hoje utiliza-se antes um antibiótico como a tetraciclina, eritromicina ou ceftriaxone, logo após o nascimento. No parto, também pode ocorrer gonorréia nos órgãos sexuais do recém nascido, no entanto, a maioria das crianças com gonorréia infecta-se por ocasião de abuso sexual.
Existe em todo o mundo, sendo uma das DST's mais comuns. São disgnosticados cerca de 10-50 casos por 1000 pessoas em cada ano.
É sexualmente transmissível logo o sexo promiscuo, ou com parceiro promiscuo é o risco principal.
A infecção com gonococo provoca feridas genitais com sangramento, e portanto aumenta significativamente o risco de contração de HIV e desenvolvimento de SIDA/AIDS. Cerca de 10% das mulheres afetadas podem ficar inférteis, sendo uma das principais causas de infertilidade feminina.
O diagnóstico clínico é realizado através de exames laboratoriais específicos. O mais eficiente é o chamado coleta "in vitro" ou local, através de uma longa haste com um pedaço de algodão na ponta. O material recolhido é transposto em um campo de cultura e após 72 horas o especialista conta a quantidade de bactérias por mm quadrado indicando assim o grau de contaminação do(a) paciente.
O gonococo tem aparencia típica à microscopia e necesita de 10% de CO2 no meio para se multiplicar.
Além de medidas de higiene, e o uso de protecção (preservativo/camisinha) compreende o uso de antibióticos e quimioterápicos, sob rigorosa prescrição médica, pois pode haver um mascaramento da doença, com consequencias imprevisíveis para a pessoa.
O antibiótico de escolha é a penicilina G, ou cefalosporinas se houver resistência.
A vacinação não é prática devido a grande variabilidade das estirpes e pequena gravidade da doença se tratada a tempo.
doenças sexualmente transmissíveis
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