O glifosato (N-(fosfonometil) glicina, C3H8NO5P) é um herbicida sistêmico não seletivo (mata qualquer tipo de planta) desenvolvido para matar ervas, principalmente perenes.
É o ingrediente principal do Roundup, herbicida da Monsanto. Muitas plantas culturais geneticamente modificadas são simplesmente modificações genéticas para resistir ao glifosato. A Monsanto vende sementes dessas plantas com o marca RR (Roundup ready).
O herbicida é absorvido pelas folhas das plantas, não por suas raízes.
Química
O glifosato é um aminofosfonato análogo ao
aminoácido natural
glicina, que portanto ocupa o lutar desta na
síntese protêica. Seu nome é uma contração de glicina + fosfato.
Bioquímica
O glifosato mata as plantas por inibir a
enzima 5-enolpiruvoil-shikimato-3-fosfato sintetase (EPSPS), que sintetiza os aminoácidos
aromáticos:
fenilalanina,
tirosina e
triptofano. A EPSPS cataliza a reação do shikimato-3-fosfato (S3P) e do fosfoenolpurivato para formar EPSP e fosfato. Os aminoácidos aromáticos são usados também para produzir metabólitos secundários como
folatos,
ubiquinonas e
naftoquinas. A
via do shikimato não está presente em animais.
Meio ambiente
Segundo a Monsanto, o glifosato liga-se fortemente ao
solo, portanto não vai para os
aqüíferos. No solo, é rapidamente metabolizado por
desfosforilação.
Na Argentina, o uso massivo do glifosato provocou a aparição de resistância, levando a um aumento progressivo das doses usadas, e assim a uma desvitalização e perda de fertilidade do solo. O herbicida elimina também as bactérias indispensáveis à regeneração do solo.
Efeitos sobre a saúde humana
Há indícios de que o glifosato do produto Roundup tenha efeitos nocivos sobre a saúde, como o aumento da incidência de certos tipos de
câncer e alterações do feto por via
placentária.
Disruptor endócrino
Estudos
in vitro (Walsh et al. 2000) demonstraram que o glifosato reduz a produção de
progesterona em células de
mamíferos, e afeta a mortalidade de células placentárias (Richard et al. 2005). Debate-se se estes estudos permitem classificar o glifosato como disruptor
endócrino.
Resistência ao glifosato
Alguns
microrganismos possuem uma forma de 5-enolpiruvoil-shikimato-3-fosfato sintetase (EPSPS) resistente ao glifosato. A versão usada nas culturas geneticamente modificadas foi isolada da cepa C4 da
Agrobacterium que era resistente ao glifosato. O gene CP4 EPSPS foi
clonado e inserido na
soja.
O gene CP4 EPSPS foi manipulado para expressão em plantas pela fusão de sua parte terminal com um peptídeo de cloroplasto obtido da petúnia. Este peptídeo demonstrara anteriormente a habilidade EPSPS bacterial para os cloroplastos de outras plantas. O plasmídeo usado para transportar o gene para dentro da soja foi o PV-GMGTO4. Ele conté, três genes de bactéiras: dois genes PC4 EPSPS, e um gene marcador, de Escherichia coli, que codifica a beta-glucuronidase (GUS).
Foi usado o método de aceleração de partículas para injetar o gene no cultivar A54O3 da soja. A expressão do gene GUS foi testada por um método de coloração, e as plantas que apresentaram o gene GUS foram pulverizadas com glifosato para testar sua tolerância.
Culturas geneticamente modificadas
Em
1991 começou a ser vendida a soja geneticamente modificada. Em 2004 o glifosato era usado em 80% das plantações de soja dos
EUA para eliminar ervas.
Nomes comerciais
Inicialmente produzido pela Monsanto como Roundup, não está mais sob
patente, e agora é vendido sob vários nomes, como TOP UP48 na
Tailândia.
Outros usos
O glifosato é um dos vários herbicidas usados pelo governo dos EUA no
Plano Colômbia na pulverização oficialmente de campos de
coca. Seus efeitos sobre a saúde, sobre plantações legais e florestas tropicais, e sua eficiência na
guerra às drogas têm sido fortemente contestados.
Há mais de vinte anos as plantações colombianas têm sido pulverizadas por iniciativa do governo deste país, enquanto outros países andinos produtores de coca optaram pela erradicação manual. Em 2005 o governo colombiano manifestou a intenção de pulverizar com glifosato as reservas florestais (a Colômbia é o terceiro país do mundo em biodiversidade), como a Floresta de Putumayo. Os protestos e denúncias da população, porém, detiveram este ato. Também o governo do Equador protestou, afirmando que o glifosato afeta os camponeses equatorianos. As comunidades indígenas são as mais afetadas pelo herbicida.
Referências
- Cesar Barbosa, Guillermo Rodríguez, Alfonso Avellaneda: Estudios ambientales en la Sierra Nevada de Santa Marta afectada por cultivos de marihuana y fumigación con glifosato - 1986 (em espanhol)
- EU (2002). Revisão sobre o princípio ativo do glifosato. Retrieved October 28, 2005. (em inglês)
- U.S. EPA Decision Fact Sheet for Glyphosate. http://www.epa.gov/oppsrrd1/REDs/factsheets/0178fact.pdf. Retrieved Nov 13, 2005. (em inglês)
- Walsh, et al: Roundup inibe a esteroidogênese pela interrupção da expressão da proteína regulatória esteroidogênica (stAR). Environmental Health Perspectives (2000) 108-N8: 769-776 (em inglês)
- Sophie Richard, Safa Moslemi, Herbert Sipahutar, Nora Benachour, Gilles-Eric Seralini: Efeitos diferenciais do glifosato e de Roundup em células placentárias e aromatase humanas. Environmental Health Perspectives (2005) 113-N6: 716-720 (em inglês)
- JP Giesy, KR Solomon, S Dobson: Riscos ecotoxicológicos do herbicida Roundup. Reviews of Environmental Contamination and Toxicology (2000) 167: 35-120 (em inglês)
- GM Williams, R Kroes, JC Munro: Avaliação de segurança e risco do herbicida Roundup e seu ingreditente ativo, glifosato, para seres humanos. Regulatory Toxicology and Pharmacology (2000) 31-N2: 117-165 (em inglês)
- KR Solomon, DG Thompson: Riscos ecológicos para organismos aquáticos no uso de glifosato sobre a água. Journal of Toxicology and Environmental Health (2003) 6: 289-324 (em inglês)
- Organização Mundial de Saúde. Environmental Health Critera 159: Glyphosate. (1994) (em inglês)
Ligações externas
Herbicidas
Glyphosate | Glifosato | Glyphosate | Glyphosate | Glyphosate