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Gaúcho é o habitante do pampa, descendente mestiço de espanhóis, portugueses e indígenas, trabalhando e vivendo geralmente em estâncias. É assim conhecido no Brasil, enquanto que na Argentina, no Paraguai e no Uruguai é chamado de gaucho.

Também é usado como sinônimo de sul-rio-grandense, mas transcende as fronteiras do Estado do Rio Grande do Sul: são chamados gaúchos todos os que, tanto nos pampas quanto na região serrana de Santa Catarina, na Argentina, no Uruguai, Paraguai, ou por todo o Brasil, mantêm as tradições cultivadas nos CTGs.

Etimologia


Existem várias teorias conflitantes sobre a origem do termo “gaúcho”. Pode ser que o vocábulo tenha derivado do quechua (idioma ameríndio andino) “huachu” (órfão, vagabundo) ou do árabe "chaucho" (um tipo de chicote para controlar manadas de animais). Além disso, abundam outras hipóteses sobre o assunto. A primeira vez que foi documentado o seu uso foi em torno de 1816 durante a independência da Argentina.

História


Os gaúchos são geralmente nômades e vivem nos pampas, planicie que se estende desde a Patagônia até o norte do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, e é limitada, à oeste, pela cordilheira dos Andes .

O gaúcho faz um papel importante, simbólico, nos sentimentos de nacionalismo dessa região dos pampas, especialmente na Argentina. O poema épico Martín Fierro, de José Hernández, utilizou o elemento gaúcho como o símbolo da tradição nacional da Argentina, em contradição com a sua europeização e corrupção. Martín Fierro, o herói do poema, é recrutado pelo exército argentino para participar de uma guerra fronteiriça, abandona seu posto e se torna um fugitivo caçado. A imagem do gaúcho livre freqüentemente é contrastada com aquela dos trabalhadores cativos das regiões do Nordeste do Brasil.

Os gaúchos são grandes cavaleiros. Tipicamente, o cavalo do gaúcho era tudo o que ele possuía neste mundo. Durante as guerras do século XIX, que ocorreram na região, atualmente conhecida como Cone Sul, as cavalarias de todos os países eram compostas quase que inteiramente por gaúchos.

Música


Existem várias músicas que fazem parte da cultura gaúcha (do Rio Grande do Sul). O único ritmo que realmente foi criado pelo gaúcho rio-grandense foi o bugio, criado em 1957 por Neneca Gomes, na então província de São Francisco de Assis. Ritmo banido de lá por ser considerado obsceno, encontrou parada em São Francisco de Paula, onde até hoje é realizado o festival nativista "O ronco do Bugio". Mas foi adotado e adaptado para a cultura atual como: Vaneira, Vaneirão, Chamamé, Valsa, Milonga, Rancheira, Chote, Polonaise, Chimarrita, entre outras.

Vestimenta


A pilcha, indumentária do gaúcho, utiliza boleadeiras (bolas ou boleadoras em castelhano), uma corda com pedras arredondadas amarradas em cada uma de suas extremidades em comparação com o lariat ou riata do cowboy. O traje típico do gaúcho inclui o seu pala (ou poncho em castelhano) que é um sobre-tudo que pode servir de cobertor para dormir, um facão (ou facón em castelhano), um chicote (ou rebenque em castelhano) e as calças largas ao estilo chamado bombachas, seguradas às suas cinturas por um tipo de cinto chamado guaiaca (ou tirador em castelhano). São complementos as botas, o chapéu de barbicacho e o lenço no pescoço.

Palavras e expressões regionalistas


No Rio Grande do Sul, existe um linguajar muito característico, o chamado gauchês, com muitas palavras e frases muito utilizadas entre os gaúchos, mas pouco conhecidas, ou com outro sentido nos outros estados brasileiros. Por exemplo: negrinho (brigadeiro), branquinho (beijinho), sinaleira (semáforo), bah (barbaridade), cacetinho (pão de 50g), aipim (mandioca), bergamota (tangerina), lomba (ladeira), etc.

Rio Grande do Sul

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