Espeleologia é a ciência que estuda as cavidades naturais e outros fenómenos cársicos, nas vertentes da sua formação, constituição, características físicas, formas de vida, e sua evolução ao longo do tempo. A Geologia, Hidrologia, Biologia, Climatologia e Arqueologia são algumas das ciências que contribuem para o conhecimento espeleológico. Os estudos espeleológicos apoiam-se frequentemente em levantamentos topográficos. A simples exploração ou visita das cavernas está por vezes associada à espeleologia, embora não se deva confundir com esta ciência.
Nascido em França na segunda metade do séc. XIX (1859 - 1938), Édouard-Alfred Martel é considerado o pai da espeleologia. Desde tenra idade que se apaixona pelo mundo subterrâneo, tendo efectuado as suas maiores explorações em 1888, no maciço central francês. Em 1895 fundou a Sociedade de Espeleologia Francesa, a primeira associação de carácter espeleológico em França e no mundo. Foi o verdadeiro fundador da espeleologia física. Outro grande nome da espeleologia é o romeno Emile Georges Racovitza (1868 - 1947), que realizou os seus estudos em França. Juntamente com o seu discípulo e colaborador René-Jeannel (1879 - 1965), são considerados os fundadores da bioespeleologia, ciência que estuda a vida nas cavernas. No entanto a espeleologia não podia progredir sem o contributo de outras ciências. As dificuldades inerentes à exploração das grutas, bem como a subida e descida de poços de grandes dimensões, exigiam técnicas e materiais específicos. Robert de Joly, discípulo e seguidor de Martel, foi o primeiro a inventar e a aperfeiçoar radicalmente o material de exploração espeleológica. Os seus sistemas de iluminação, aparelhos de subida e descida e inclusivé o seu traje, foram copiados e imitados no mundo inteiro. É considerado o pai da espeleologia desportiva.
Com a descoberta das grutas dos Moinhos Velhos um grupo de nove amigos: José Brun da Silveira, Eduardo Vicente, Francisco José de Abreu, Jorge Tiago Ferreira, José Afonso Amaral, Armando Morais de Carvalho, Mário Monteiro, José de Andrade Franga e Telmo Augusto Pereira, reunidos numa mesa do café Paladium, em Lisboa, em 16 de Novembro de 1948 resolvem criar a Sociedade Portuguesa de Espeleologia "com o fim de se dedicarem a pesquisas espeleológicas e ciências afins". Está então, iniciado o estudo organizado das cavidades portuguesas.
Em 1956 e 1957 foram publicados estudos regionais sobre a Beira Litoral da autoria de A.F. Soares, L.N. Conde e A.F. Tavares. Nos anos 60 a espeleologia começou a evoluir fora dos meios universitários e científicos: foi ainda na década de 60 que se formaram vários clubes de espeleologia e que surgiram os primeiros cursos de formação. Na década de 70 a formação de espeleólogos passou a ter melhor qualidade, começando espeleólogos portugueses a realizar estágios em França e os clubes a apostar em cursos de formação. Em 1973 tem lugar o 1º Encontro Nacional de Espeleologia. Na década de 80 surgiram mais duas publicações de natureza espeleológica: O Mundo Subterrâneo, da Associação de Espeleólogos de Sintra (1980) e EspeleoDivulgação, do Núcleo de Espeleologia da Associação de Estudantes da Universidade de Aveiro (Junho de 1982). As explorações estrangeiras a Portugal foram retomadas em 1983, com a realização de uma expedição francesa à nascente do Alviela. Em 1985 é publicado o livro "Grottes et Algares du Portugal" de C. Thomas; no mesmo ano o seu trabalho, juntamente com o SAGA - Sociedade dos Amigos das Grutas e Algares, na gruta do Almonda tornaram esta cavidade na 1ª do "ranking" nacional. Em Agosto de 1987 realiza-se mais uma expedição francesa ao nosso país, constituida por 12 espeleólogos e 8 mergulhadores que exploraram alguns algares e mergulharam as Nascentes do Alviela e Almonda, chegando na primeira a 425 metros de distância e atingindo a cota de mergulho de - 60 metros. No ano seguinte, uma outra expedição francesa à nascente do Alviela, desta feita com uma equipa da Comissão de Mergulho Subterrâneo da F.F.E.S.S.M., atingiu a cota dos -78 metros e topografa 820 metros de galerias. Em 1990 surgiu mais uma publicação versando o território continental, o livro de Lúcio Cunha "As Serras Calcárias de Condeixa - Sicó - Alvaiázere. Estudo de Geomorfologia". A partir de 1998 os espeleólogos do Núcleo de Espeleologia de Condeixa começam a participar em explorações de ponta nas montanhas dos Picos de Europa, em Espanha.
Em 2006 os espeleólogos do NEC, Samuel Ribeiro e Fernando Pinto foram convidados a participar na exploração da J-02 situada na Sierra Juarez no México. Esta cavidade prevê-se que seja a mais funda do mundo, com um potêncial que ultrapassando os 2500 metros de profundidade. Terminada a expedição os 2 portugueses não foram além dos 1200 metros de profundidade pois toda a exploração terminou por ali devido aos sifões difíceis de ultrapassar. Ainda assim um recorde para estes dois espeleólogos nacionais. Até agora mais nenhum português foi tão fundo.
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