Argel (em Francês: Alger, em Árabe: الجزائر, transliteração: al-Jezair, tradução: "As Ilhas"), é a capital e maior cidade da Argélia. Apelidada de Alger la Blanche ("Argel a Branca") pela admirável aparência do branco resplandecente dos edifícios que sobem a encosta, vistos do mar.
Geografia
Fica localizada no extremo norte do país, na margem Oeste da baía do mesmo nome, na costa do
Mar Mediterrâneo, nas coordenadas 36°47' Norte, 3°4' Este (36.78333, 3.0667), nas encostas da cordilheira do
Sahel, paralela à costa. É um dos maiores portos de
África e o principal centro industrial e comercial da Argélia. Tem cerca de 3.2 milhões de habitantes.
A cidade é constituída por duas partes: a parte moderna, construída em terreno plano junto à costa, e a antiga cidade dos
deys, que sobe a encosta inclinada por trás da cidade moderna, e que é coroada pela
kasbah (cidadela), 120 metros acima do nível do mar.
Entre os muitos pontos de interesse de Argel, incluem-se o bairro da kasbah, a Praça dos Mártires (ساحة الشهداء
Sahat ech-Chouhada), os edifícios do Governo (anteriormente o consulado
Britânico), as
mesquitas Grande, Nova, e Ketchaoua, a
catedral católica de
Notre Dame d’Afrique, o Museu Bardo (uma antiga mansão
turca), a velha Biblioteca Nacional de Argel (
Bibliotheque Nationale d'Alger, um palácio turco construído em
1799-
1800), e a nova Biblioteca Nacional, construída num estilo que faz lembrar a
British Library.
A
kasbah de Argel, um tipo único de
medina, ou cidade
islâmica, que contém as ruínas da cidadela, antigas
mesquitas e palácios de estilo otomano, importantes vestígios duma antiga estrutura urbana, foi inscrita pela
UNESCO, em
1992, na lista dos locais considerados
Património da Humanidade.
O edifício principal da kasbah teve a sua construção iniciada em
1516, no local de um edifício anterior, tendo servido como palácio dos deys até à conquista
francesa. Uma estrada foi aberta atravessando o centro do edifício, a mesquita transformada em
quartel, e a sala de audiências abandonada, encontrando-se em ruínas. Restam ainda um
minarete e alguns arcos e colunas de mármore. Existem ainda vestígios dos cofres onde estavam guardados os tesouros do dey.
A Mesquita Grande (الجامع الكبير
Jamaa-el-Kebir) é considerada tradicionalmente a mais antiga de Argel. O púlpito (منبر
minbar) ostenta uma inscrição que atesta que o edifício já existia em
1018. O minarete foi construído por
Abu Tachfin,
sultão de
Tlemcen, em
1324. O interior da mesquita é quadrado, encontrando-se dividido em naves por colunas unidas por arcos
mouriscos.
A Mesquita Nova (الجامع الجديد
Jamaa-el-Jedid), construída no
século XVII, tem a forma de uma
cruz Grega, encimada por uma grande cúpula branca, com quatro pequenas cúpulas nos cantos. O minarete tem 30 metros de altura. O interior é semelhante ao da Mesquita Grande.
A Mesquita Ketchaoua (جامع كتشاوة
Djamaa Ketchaoua), no sopé da kasbah, era a Catedral de St Philippe antes da independência (ela própria resultante da transformação em
1845 de uma mesquita construída em
1612). A entrada principal, a que se acede subindo 23 degraus, encontra-se ornamentada com um pórtico suportado por quatro colunas de
mármore com veios negros. O tecto da nave é trabalhado em estuque mourisco, encontrando-se assente numa série de arcadas suportadas por colunas de mármore branco. Algumas destas colunas pertenciam à mesquita original. Numa das capelas encontra-se um túmulo contendo os ossos de
São Jerónimo. O edifício é uma curiosa mistura de estilos mourisco e bizantino.
A Catedral de
Notre-Dame d'Afrique, construída em (
1858-
1872) numa mistura dos estilos
românico e
bizantino, está situada nas colinas
Bouzareah, com vista para o mar, a 3 km ao Norte da cidade. Por cima do altar encontra-se uma estátua da
Virgem Maria, representada como uma mulher negra. Contém igualmente uma estátua de
prata maciça do
Arcanjo Miguel, que pertence à confraria de pescadores
napolitanos.
Argel possui uma
universidade com
faculdades de
Direito,
Medicina,
Ciências e
Letras. O Museu Bardo exibe algumas das esculturas e mosaicos descobertos na Argélia.
O porto de Argel encontra-se protegido dos ventos. Existem dois ancouradouros, ambos artificiais: o velho (ou do Norte), que cobre uma área de 950 000 m², e o de Agha (ou do Sul), construído na Baía de Agha. A construção do ancoradouro velho foi iniciada em
1518 por Khair-ad-Din
Barbarossa, que ligou a ilha onde se encontrava o Fort Penon ao continente, para acomodar os seus navios
piratas. O local do Fort Penon encontra-se hoje ocupado por um
farol construído me
1544.
Argel foi uma cidade murada desde o tempo dos deys até ao final do
século 19. Após ocuparem a cidade em 1830, os
Franceses construíram uma muralha e fosso, com dois fortes: باب عزون
Bab Azoun a Sul e باب الواد
Bab-el-Oued a Norte. Os fortes e parte da muralha foram demolidos no início do
século 20, sendo as suas funções defensivas transferidas para uma linha de fortes nas colinas بوزريعة
Bouzareah (400 metros acima do nível do mar).
História
Algiers CNE-v1-p58-J.jpg
Foi fundada pelos fenícios no século IV a.C. e, sob domínio romano, a pequena cidade de Icosium situava-se onde hoje se encontra o bairro marítimo de Argel, tendo-lhe sido concedido o estatuto de cidade Latina pelo imperador Vespasiano. A rue de la Marine segue o alinhamento de uma rua romana. Existiam cemitérios romanos perto de Bab-el-Oued e Bab Azoun. Os bispos de Icosium são mencionados até ao século V.
A cidade actual foi fundada em 944 por Buluggin ibn Ziri, o fundador da dinastia Zirid-Senhaja, que foi destronada por Rogério II da Sicília em 1148. Antes dessa data, já haviam perdido Argel, que em 1159 seria ocupada pelos Almoadas, tendo sido dominada pelos sultões Abd-el-Wadid de Tlemcen a partir do século 13.
Nominalmente parte do sultanato de Tlemcen, Argel gozava de considerável autonomia, sob os seus próprios emires, sendo Oran o principal porto dos Abd-el-Wahid. A ilhota em frente do porto de Argel, posteriormente conhecido como Penon, foi ocupada pelos Espanhóis em 1302. A partir daí, cresceram as trocas comerciais entre Argel e a Espanha.
Argel continou a ser uma cidade relativamente pouco importante até à expulsão dos Mouros de Espanha, quando muitos deles procuraram asilo na cidade. Em 1510, depois de ocuparem Oran e outras cidades da costa de África, os Espanhóis fortificaram o Penon. Em 1516, o emir de Argel, Selim b. Teumi, convidou os irmãos Arouj e Khair-ad-Din (Barbarossa) para expulsar os Espanhóis. Arouj veio para Argel, conseguiu fazer assassinar Selim, e apoderou-se da cidade. Khair-ad-Din, sucedendo a Arouj, expulsou os Espanhóis do Penon (1550) e foi o fundador do pashalik, depois deylik, de Argel.
Ver Lista de Pashas e Deys de Argel
tentativas para subjugar os piratas que perturbavam a hegemonia europeia no Mediterrâneo ocidental, e em 1816 a cidade foi bombardeada por um esquadrão britânico comandado por Lord Exmouth, auxiliado por vasos de guerra holandeses, e a frota dos corsários foi incendiada.
A 4 de Julho de 1830, sob o pretexto de uma afronta ao seu consul (a quem o dey tinha batido com um enxota-moscas quando tinha afirmado que o Governo Francês não estava preparado para pagar as suas substanciais dívidas a dois mercadores judeus argelinos), um exército francês comandado pelo General de Bourmont atacou a cidade, que capitulou no dia seguinte. De 1830 a 1962, a história de Argel confunde-se com a história da Argélia e as suas lutas com a França.
Em 1962, após uma sangrenta luta pela independência, em que morreram centenas de milhares de Argelinos (um milhão, segundo a história oficial da Argélia) às mãos do exército francês e da Frente de Libertação Nacional (Front de Libération Nationale ou F.L.N.), a Argélia ganhou finalmente a sua independência, com Argel como a sua capital. Apesar de ter perdido a totalidade da sua população de origem europeia (Pied-Noir), a cidade sofreu uma grande expansão, tendo actualmente cerca de três milhões de habitantes (c. 10% da população da Argélia). Os seus subúrbios cobrem a maior parte da planície de Metidja.
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