Existem 10 famílias:
Os afídios, afídeos, pulgões ou piolhos-das-plantas são insectos diminutos que se alimentam da seiva de plantas, da superfamília dos afidoídeos, ou Aphidoidea (algumas fontes registam Apidoidea) na divisão Homoptera da ordem dos Hemiptera. Podem também ser consideradas como afídios as espécies das famílias Phylloxeridae e Adelgidae, da superfamília Phylloxeroidea. Conhecem-se cerca de 4 000 espécies de afídios, classificadas em 10 famílias (não incluindo as duas atrás referidas). Cerca de 250 espécies constituem sérias pragas para a agricultura, floresta e jardinagem, já que sugam a seiva das plantas, colonizando, em grande número, caules, folhas, gemas, flores, frutos e raízes. Variam em tamanho, de 1 a 10 mm de comprimento. São, geralmente, de cor uniforme, baça ou brilhante, existindo espécimes castanhos, cinzentos, amarelos, verdes, vermelhos ou pretos. A joaninha é um dos seus principais predadores. Existem por todo o mundo, embora a maioria prefira as regiões temperadas. Algumas espécies de formigas protegem os afídeos, com vista à obtenção da melada por eles segregado. É por essa razão que são, por vezes, designados como "vaca-das-formigas".
Segundo alguns taxonomistas, esta superfamília é apenas dividida em três famílias: Aphididae, Adelgidae e Phylloxeridae. Neste caso, a família Aphididae aparece dividida nas subfamílias Pemphiginae, Mindarinae, Anoeciinae, Phloeomyzinae, Thelaxinae, Hormaphidinae, Drepanosiphinae, Lachninae e Aphidinae.
Os afídeos têm dois olhos compostos e dois tubérculos oculares constituídos por três lentes, cada uma localizada sobre a parte intermédia dos olhos compostos. Têm dois segmentos társicos. O quinto segmento abdominal suporta um par de tubos na superfície dorsal designados como sifúnculos ou cornículas dispostas de forma ascendente, dirigindo-se para a parte posterior do corpo. Julgava-se que fossem estes dois canais a segregar a substância designada em inglês como "honeydew", ou seja, "orvalho-de-mel" - designada em português, apenas, como "melada", que os afídeos também segregam e que é especialmente procurado pelas formigas; hoje em dia, contudo, sabe-se que este é produzido no próprio canal alimentar, análogo aos nossos intestinos. Geralmente, têm também uma projecção, em forma de cauda, na parte inferior, entre as cornículas, no último segmento abdominal.
Têm um corpo mole, longo, com articulações finas, tarsos biarticulados. Existem formas com ou sem asas nos dois sexos. As asas, quando existem, formam dois pares enlaçados, transparentes, apresentando apenas uma nervura quitinosa longitudinal proeminente. Em repouso, as asas estão sempre em posição erecta ou horizontal. Apresentam também uma probóscide que se projecta na zona intermédia-posterior das articulações anteriores. As antenas dos afídeos são compostas por dois segmentos basais e um flagelo com quatro segmentos. Os últimos três destes segmentos dividem-se numa parte proximal e uma parte distal, mais fina, designada como processus terminalis.
Alguns afídeos hospedam bactérias endossimbiontes do género Buchnera, que sintetizam os aminoácidos essenciais que não estão presentes no floema consumido pelo insecto.
Repare-se, portanto, que estas espécies tanto são vivíparas quanto ovíparas, dependendo da época do ano. Durante a Primavera e o Verão reproduzem-se, na maior parte dos casos, por partenogénese, sendo vivíparos (diz-se, por isso, que são fêmeas virginíparas). No Outono reproduzem-se sexualmente, ocorrendo o acasalamento entre machos e fêmeas, e tornam-se ovíparos, realizando a postura de alguns ovos (não muitos). Devido a esta alternância de ciclos reprodutivos distintos, diz-se que estes insectos passam por partenogénese cíclica ou estacional, ou seja, são insectos com reprodução holocíclica.
Ainda que os factores que determinam estes fenómenos ainda não sejam claramente compreendidos, acredita-se que o aparecimento de machos está relacionado com a descida da temperatura no Outono e com a escassez de alimento. Também se coloca a hipótese de que o nascimento, por viviparidade partenogénica, de fêmeas aladas pode estar relacionado com a diminuição da quantidade ou da qualidade da seiva obtida a partir da planta onde se localiza a colónia de afídeos. As fêmeas com asas (fêmeas fundadoras - ápteras, ou seja, sem asas) poderão, então, colonizar outras plantas, deslocando-se pelo vôo - por vezes, chegam a migrar para espécies diferentes de plantas. Por exemplo, o piolho-da-maçã (Aphis mali), depois de produzir sucessivas gerações de fêmeas ápteras junto da planta que tipicamente lhe dá alimento, dá origem a fêmeas com asas que migram e formam novas colónias, por exemplo, em gramíneas, como o milho.
As migrações podem ser do tipo absoluto, se todos os afídeos de uma colónia mudam para uma nova planta (abandonando o hospedeiro primário), ou do tipo facultativo, quando apenas parte da população procura um hospedeiro secundário. Os afídeos alados realizam não só o voo activo, mas também voo passivo, planando no vento com grande facilidade, chegando mesmo a acompanhar as massas de ar em movimento até cerca de 5 000 metros de altitude, como foi comprovado por Lucien Berland que capturou algumas espécies nestas regiões atmosféricas. Este poder de dispersão justifica o facto de as suas espécies serem consideradas ubíquas ou cosmopolitas.
O Phylloxera vastatrix, insecto que cria enormes prejuízos nas vinhas ao atacar as folhas e raízes das videiras está também relacionado com os afídeos. A sua forma de reprodução assemelha-se à do Aphis rosae, acima descrita sumariamente. No Outono, é posto apenas um ovo fértil por cada uma das fêmeas ápteras, numa fenda da casca da videira, onde fica protegido durante o Inverno. Deste ovo nascerá outra fêmea áptera, na Primavera, que fará uma escoriação (galha) nas folhas jovens, onde fará a postura de uma quantidade apreciável de ovos. Alguns dos espécimes juvenis repetem a operação de pôr novos ovos em novas folhas (formas galícolas), enquanto que outros descem até às raízes da planta, constituindo as chamadas "formas radícolas". Estas, tal como as formas primaveris, reproduzem-se assexuadamente, dando origem a gerações sucessivas de espécimes capazes da postura de ovos. No curso do Verão, de alguns dos ovos nascem fêmeas aladas com a capacidade de pôr ovos dos quais nascerão machos e fêmeas ápteras. Da união sexual destes descendentes, nascerão os ovos que eclodirão na Primavera.
Existe uma espécie de afídeo do repolho que se reproduz especialmente no Verão. Todos os seus espécimes são fêmeas que podem sobreviver por mais de 41 gerações sucessivas. De facto, se muitos não morressem durante essa multiplicação, o seu número ascenderia a mais de mil quatriliões e meio de espécimes (1.5 x 1027) no final da estação. Cálculos efectuados por Herrick indicavam que um único piolho-da-couve (Brevicoryne brassicae), com 1 mg de peso poderia, teoricamente, originar uma população cujo peso ascenderia a de toneladas (cerca de cinco vezes o total do peso estimado da população humana) - claro que restrições de alimento, os predadores entomófagos e outras contrariedades não permitem tal proliferação. As fêmas têm dois cromossomas sexuais - os machos têm apenas um.
Os primeiros afídeos não eram exactamente como os actuais. Órgãos como a cauda ou os sifúnculos não se desenvolveram senão a partir do Cretácico.
A maior parte das famílias de afídios foi afectada pela Extinção K-T, que vitimou também os dinossauros.
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