A Associazione Calcio Milan, ou simplesmente Milan, é um clube de futebol da cidade de Milão, na Itália. O clube foi fundado em 1899 como o Milan Cricket and Football Club por Alfred Edwards, um britânico expatriado. Em homenagem às suas origens, o clube manteve a forma inglesa de escrita do nome da cidade, ao invés de alterar para o italiano Milano; Nota-se que a pronúncia atual em italiano é realmente Mi-lahn.
O atual estádio do clube é o Giuseppe Meazza de 83.679 lugares, também conhecido como San Siro. O estádio é dividido com a Internazionale, a grande rival na cidade. Os torcedores milanistas usam "San Siro" para se referir ao estádio, já que Meazza foi um ídolo da Inter.
O Milan é a segunda equipe com mais títulos do Campeonato Italiano, ou Serie A, com 17 conquistas, atrás apenas da Juventus, de Turim. Mas é o clube italiano com mais conquistas na Liga dos Campeões da UEFA, sendo seis vezes campeão do torneio interclubes mais importante da Europa, enquanto seus maiores rivais na Itália detêm apenas quatro taças (a Internazionale e a Juventus têm duas cada). Veja mais em: AC Milan em competições internacionais.
O Milan joga em listras vermelhas e negras e calção negro, ganhando por isso o apelido rossoneri ("rubro-negros"). Os seus torcedores são conhecidos como milanistas, assim como os torcedores da Internazionale são chamados de interistas e os da Juventus de juventinos. Segundo pesquisa do Instituto Doxa em 2003, o Milan teria 16,4% da preferência dos italianos, o que equivale a 9.479.200 torcedores, sendo a terceira maior torcida italiana .
O Milan faz contra a Inter o clássico da cidade de Milão, Inter x Milan .
A Itália viveu no fim do século XIX uma época de grandes transformações. Em uma Europa que experimentava o início da era industrial, a cidade de Milão consolidava-se como um dos centros mais importantes da Itália. E foi na efervescência deste período que nasceu no país um dos clubes mais conhecidos no mundo do futebol. Em um dia chuvoso, às vésperas da virada do milênio, o inglês Alfred Edwards e um grupo de amigos fundaram, em 18 de dezembro de 1889, o "Milan Cricket and Football Club".
Freqüentado pela nata da sociedade milanesa, e por desportistas ingleses, o clube incentivou inicialmente a prática dos dois esportes que deram origem ao clube. Ao contrário do cricket, o futebol ainda era visto com reservas pela alta burguesia italiana, porém, logo tornou-se o esporte preferido entre os associados. O Milan passou a ser o clube dos trabalhadores da cidade e dos sindicalistas, enquanto a Internazionale era preferida pelas elites. Em 1901, com apenas dois anos de idade, o Milan conquistou o seu primeiro Campeonato Italiano, após derrotar a Gênova e a Juventus no playoff final; feito que repetiria outras duas vezes - em 1906 e 1907 -, até a deflagração da Primeira Guerra Mundial.
No intervalo entre as duas guerras mundiais (1919-1943), o Milan teve um desempenho apagado no campeonato italiano. O fato mais marcante no período foi a inauguração, em 1926, do Estádio San Siro, um presente do presidente do Milan, Pietro Pirelli, aos torcedores rubros-negros e à cidade de Milão. Pirelli financiou sozinho a construção do belo estádio, que foi totalmente inspirado na arquitetura dos estádios ingleses.
As origens anglo-saxônicas do Milan, no entanto, não gozavam da simpatia do movimento fascista italiano. Em 1946, o clube perdeu definitivamente o sotaque britânico, passando a se chamar Associazione Calcio Milan (AC Milan). Com o fim da II Guerra Mundial, a Itália começou um lento e doloroso processo de reconstrução, e o futebol, à reboque do que acontecia no resto do país, começou a se desenvolver novamente, na medida em que o país se libertava dos fantasmas do fascismo.
Nos anos 50, o Milan contratou três espetaculares jogadores suecos: Gunnar Gren, Gunnar Nordahl e Nils Liedholm, que ficaram mundialmente conhecidos como o trio "Gre-No-Li" . Eles eram as estrelas de uma equipe que fez história no clube, dominando boa parte do Campeonato Italiano daquela década. Gren e Liedholm eram os maestros do meio-de-campo, e Nordahl, o grande artilheiro da equipe.
Em 1951, o Milan conquistou pela quarta vez o Campeonato Italiano, com apenas um ponto de vantagem sobre a Internazionale. Foi o primeiro dos quatro títulos conquistados na década, que contou ainda com a presença de outros dois ilustres estrangeiros: o craque uruguaio Juan Alberto Schiaffino, peça-chave na conquista do sexto scudetto, em 1957, e o centroavante brasileiro Altafini, que chegou ao Milan com o prestígio em alta depois de sagrar-se campeão mundial, em 1958, na Suécia. Com seus gols, Altafini ajudou o Milan a conquistar o sétimo scudetto, em 1959, o último triunfo dos rubro-negros na década de 50.
A grande lacuna deixada por esta extraordinária equipe foi não ter ganho a Copa dos Campeões da Europa. O Milan chegou à final desta competição pela primeira vez na temporada 1957/58, mas acabou derrotado pelo fortíssimo Real Madrid CF, da Espanha, por 3 a 2, em Bruxelas.
O oitavo scudetto veio três anos depois, em 1962, com uma equipe em que despontavam o jovem Gianni Rivera, Cesare Maldini e Giovanni Trappatoni. O técnico da equipe na época era Nereo Rocco, muito querido pelos jogadores e pela torcida milanesa.
Um ano depois, em 1963, o clube conquistou a Copa dos Campeões, derrotando na final o Benfica, de Portugal, com dois gols do brasileiro Altafini. O gol da equipe de Lisboa foi marcado por Eusébio, o maior craque da história do futebol português. Na decisão do Copa Intercontinental, o rubro-negro italiano não resistiu ao Santos de Pelé, perdendo o título após uma vitória de 4 a 2 em casa e duas derrotas no Maracanã (a primeira pelo mesmo placar e a segunda, no jogo de desempate, por 1 a 0).
O Milan só voltaria a brilhar no cenário europeu na temporada 1967/68, com a conquista de mais um scudetto e com o primeiro título na Recopa Européia, após derrotar o Hamburgo, da Alemanha, em Roterdão. No ano seguinte, o clube alçou vôos ainda mais altos e sagrou-se campeão europeu e mundial. Ainda sob o comando de Rocco, e com Rivera no auge de sua forma, goleou o poderoso Ajax, da Holanda, que contava com o craque Johan Cruijff, por 4 a 1, na decisão da Copa dos Campeões, disputada em Madrid. O título na Copa Intercontinental veio alguns meses depois, numa decisão em dois jogos contra o Estudiantes, da Argentina.
O clube iniciou a década de 70 quebrando um jejum de quatro anos na Copa da Itália, ao conquistar o bicampeonato em 1972-73. Ainda em 1973, conquistou pela segunda vez a Recopa Européia, vencendo na decisão os ingleses do Leeds United AFC.
Os anos seguintes, entretanto, não foram fáceis para o Milan. A derrota na final da Recopa Européia de 1974 para o desconhecido FC Madgeburg, da Alemanha Oriental, foi o estopim de uma grave crise no clube. Enquanto jogadores como Schnellinger, Trapattoni, Hamrim, Sormani e Prati se transferiam para outras equipes ou encerravam suas carreiras, os rivais Juventus e Internazionale investiam em reforços e formavam grandes equipes. Ao Milan só restou o talento de um envelhecido e decadente Rivera e a força de vontade de um grupo de jovens desconhecidos.
Mesmo sem um grande elenco, os rubros-negros ainda conquistaram no final da década uma Copa da Itália em 1977, e um scudetto-surpresa na temporada 1978/79, devido principalmente ao declínio súbito da Juventus, o grande papa-títulos da década de 70 no futebol italiano. Nils Liedholm, uma das maiores legendas rubro-negras, foi o técnico na campanha, que marcou a despedida de Rivera e o surgimento de um jovem craque chamado Franco Baresi. A partir deste título, o Milan incorporou à sua camisa uma "estrela", que simboliza a conquista de dez scudettos, uma honra que somente mais dois clubes gozam na Itália: Juventus e Internazionale.
Depois de terminar o campeonato na terceira colocação em 1980, o Milan se envolveu no escândalo da loteria e foi punido com o rebaixamento à Série B do calcio. Entre os envolvidos no famoso escândalo estavam o goleiro Albertosi e o próprio presidente do clube, Felice Colombo. Depois de cair novamente à Série B dois anos depois, o clube conseguiu voltar à Série A em 84, mas o elenco estava à esta altura em pedaços. O escândalo das apostas e as duas temporadas longe da ribalta mancharam profundamente a imagem do Milan. Em 1985, o novo presidente Giuseppe Farina tentou reconstruir o clube, mas logo envolveu-se em complicações legais, e fugiu do país, desmoralizando ainda mais os rubro-negros.
A sorte do Milan só mudaria em 1986, quando o magnata das telecomunicações Silvio Berlusconi assumiu a direção do clube. Além de injetar muito dinheiro, Berlusconi implantou uma nova mentalidade ao Milan. Com o objetivo de formar uma grande equipe, trouxe o treinador Arrigo Sacchi e grandes estrelas do futebol europeu, como os holandeses Ruud Gullit e Marco Van Basten, que se juntaram a jogadores italianos talentosos, como o líbero Franco Baresi, o lateral-esquerdo Paolo Maldini e o meia Roberto Donadoni.
Mesmo sem poder contar com Van Basten, ausente devido à uma contusão, o Milan conquistou o scudetto e a Supercopa Italiana em 1988. Os rubro-negros terminaram o campeonato com um ponto apenas de vantagem sobre o Napoli do craque argentino Diego Maradona, em uma conquista que marcou o início de um dos períodos mais gloriosos da história do clube.
O milionário Silvio Berlusconi seguiu investindo em contratações. Em 1989, trouxe mais um grande reforço: o holândes Frank Rijkaard, um volante de rara habilidade, companheiro de Van Basten e Gullit na seleção holandesa. Ainda mais forte do que na temporada anterior, o grupo do Milan seguiu encantando a Europa e o mundo, com atuações memoráveis. Na Copa dos Campeões da Europa arrasou nas semifinais o forte Real Madrid com uma goleada histórica: 5 a 0. Na decisão, contra o Steaua Bucareste, deu outro show, e venceu o clube romeno por categóricos 4 a 0. Após conquistarem outro título europeu - a Supercopa Européia -, só faltava aos rubros-negros o título mundial, que viria no dia 17 de dezembro de 1989, em Tóquio, com a vitória de 1 a 0 sobre o Nacional de Medellin, da Colômbia.
A década de 1990 teve duas fases: a primeira 1990-94 foi gloriosa para a squadra rossonera, enquanto que os cinco anos seguintes não foram tão bons para o Milan. Nos primeiros anos do decênio, o Milan confirmou sua grande fase. Em 23 de maio de 1990, venceu sua quarta Copa dos Campeões da UEFA, em Viena, derrotando Benfica, de Portugal. Em dezembro do mesmo ano, conquistou pela terceira vez a Copa Intercontinental, com uma vitória incontestável sobre o Olimpia, do Paraguai, por 3 a 0.
Na temporada 1990/91, o Milan foi surpreendido pelo Olympique de Marselha, da França, e acabou sendo eliminado nas quartas-de-final da Copa dos Campeões da UEFA. A temporada acabou sem títulos e com a troca de Arrigo Sacchi por Fabio Capello. Com o novo treinador, o Milan iniciou um novo período de conquistas. Na temporada 1991/92, Capello comandou a equipe que fez história, ao conquistar o Campeonato Italiano de forma invicta, e atingiu a marca de 58 partidas sem derrotas na Série A do calcio. Neste período, o clube conquistou três scudettos consecutivos (1991/92, 1992/93 e 1993/94) e três Supercopas Italianas (1992, 1993 e 1994).
Mas faltava a consagração na Copa dos Campeões, renomeada Liga dos Campeões da UEFA a partir da temporada 1992/93. Em 1993, o Milan chegou mais uma vez a final da competição, mas perdeu a final para o Olympique de Marselha, por 1 a 0. Mas a equipe francesa envolveu-se em encândalos de corrupção e teve seu título impugnado. Com isso, o Milan ganhou direito de enfrentar o São Paulo FC na final do Mundial Interclubes. Favorito, o clube italiano acabou surpreendido pela equipe do técnico Telê Santana, perdendo a final por 3 a 2.
Na temporada 1993/94, o Milan chegou ao seu quinto campeonato europeu, desta vez vencendo o time espanhol do Barcelona por 4 a 0. Mas na final do Mundial Interclubes, novamente uma derrota, desta vez para o Vélez Sarsfield, da Argentina. Na temporada seguinte, o Milan disputaria sua terceira final consecutiva da Liga dos Campeões da UEFA. Mas a equipe italiana cairia diante dos holandeses do Ajax, de Patrick Kluivert, por 1 a 0.
A derrota para equipe holandesa colocou fim a uma época de grandiosa da squadra rossonera. Apesar da conquista do scudetto na temporada 1995/96, a equipe milanista caiu vertiginosamente de produção nas duas temporadas seguintes, tendo, inclusive, de lutar contra o rebaixamento. Em 1996/97, terminou na 11ª colocação, e na temporada seguinte, sob o comando de Fabio Capello, fez outra campanha desastrosa, terminando o campeonato em 10º lugar.
No ano de seu centenário, o Milan deu um belo presente à sua torcida, conquistando um inesperado scudetto, o décimo sexto de sua história. Mesmo sem jogar um futebol exuberante, a equipe, que contava com o brasileiro Leonardo, teve o mérito de crescer na hora certa: venceu sete partidas consecutivas até a última rodada, e terminou um ponto à frente da Lazio na classificação final.
O jejum de títulos da equipe rubro-negra prosseguiu nos primeiros anos do novo milênio, mas voltou a ser respeitado na Europa. Na temporada 2002/03, alcançou a final da Liga dos Campeões da UEFA, contra a rival Juventus, depois de ter eliminado, nas semi-finais, a outra rival italiana, a Internazionale. A equipe de Milão venceu a disputa nos pênaltis, por 3 a 2, depois de um empate sem gols, e chegou ao seu sexto título continental. Na decisão da Copa Intercontinental, enfrentou o Boca Juniors, da Argentina. Mas desta vez, o clube italiano se deu mal nos pênaltis e perdeu a chance de se conquistar seu quarto título mundial.
O Milan voltou a ganhar o scudetto na temporada 2003/04, com o brasileiro Kaká sendo um dos destaques. Na temporada seguinte, a equipe rossonera chegou a final da Liga dos Campeões da UEFA como grande favorita diante do Liverpool, da Inglaterra. Após estar vencendo o jogo por 3 a 0, o Milan cedeu o empate e acabou batido nos pênaltis, por 3 a 2.
Na temproada seguinte, novamente o Milan ficou no "quase". Chegou às semifinais da Liga dos Campeões, mas foi derrotado pelo Barcelona (ESP). Na Série A, viu a Juventus sagrar-se bicampeã. Mas o título está em cheque, devido a descoberta de um esquema de manipulação de resultados nesta competição. Um promotor que estuda o caso pediu que a Juventus, o Milan, a Fiorentina e a Lazio sejam rebaixados.
Em Março 2006
| Jogador | Gols | Temporadas |
|---|---|---|
| Gunnar Nordahl | 221 | 8 |
| Gianni Rivera | 164 | 18 |
| Josè Altafini | 161 | 7 |
| Aldo Boffi | 136 | 9 |
| Marco Van Basten | 124 | 7 |
| Giuseppe Santagostino | 106 | 11 |
| Pierino Prati | 102 | 7 |
| Louis Van Hege | 98 | 7 |
| Albertino Bigon | 90 | 9 |
| Nils Liedholm | 89 | 12 |
| Renzo Burini | 88 | 6 |
| Pietro Paolo Virdis | 76 | 5 |
| Marco Simone | 75 | 9 |
| Aldo Cevenini I | 73 | 7 |
| Pietro Sante Arcari | 70 | 6 |
| Daniele Massaro | 70 | 9 |
| Giovanni Moretti | 68 | 8 |
| Filippo Inzaghi (*) | 67 | 5 |
| Angelo Benedicto Sormani | 65 | 5 |
(*) jogadores em atividade.
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